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O Diário - 24 de junho de 2026
DANILO PIMENTA SERRANO É ADVOGADO E PROFESSOR UNIVERSITÁRIO
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Um trilhão de dólares, ou aproximadamente cinco trilhões e duzentos bilhões de reais. Esse é o valor do patrimônio atingido pelo empresário Elon Musk no último dia 12 de junho, quando ocorreu o IPO de mais uma de suas empresas, a SpaceX, a gigante do setor aeroespacial.
A data, sem dúvida, foi histórica. Nunca na história da humanidade uma pessoa havia amealhado uma fortuna tão grande. Somente o sistema capitalista, com suas virtudes e defeitos, poderia proporcionar esse feito.
Ainda que em um primeiro momento cause certa repulsa ao pensar que uma pessoa detém sozinha um patrimônio superior ao PIB de muitos países, é certo que essa fortuna não surgiu no vazio. Ela resulta de uma jornada empresarial permeada por investimentos de alto risco, e de resultados muitas vezes incertos. Grandes feitos como a popularização dos carros elétricos, a conectividade global proporcionada pela Starlink, os avanços na área de neurotecnologia e a transformação profunda da indústria aeroespacial decorrem da jornada que transformou Musk em um trilionário.
Essa concentração extrema de riqueza, evidentemente, não é positiva. Ainda assim, os números sugerem uma correlação interessante. Isso porque, em alguns países, o aumento do número de bilionários ocorreu paralelamente à redução da pobreza. Índia e China ilustram esse fenômeno. Nas últimas décadas, ambos os países reduziram drasticamente a pobreza, ao mesmo tempo em que passaram a figurar entre as nações com maior número de bilionários. Naturalmente, essa correlação não autoriza conclusões simplistas, mas impede asseverar que toda grande acumulação privada seja necessariamente incompatível com ganhos sociais.
Tal evidência não resolve o desconforto moral de uma única pessoa concentrar mais riqueza que dezenas de países somados. Mas talvez a pergunta certa não seja se Musk deveria ter um trilhão de dólares, e sim se o sistema que permitiu isso também é capaz de distribuir parte desse valor pelo caminho. Os números da Índia e da China sugerem que sim.



