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Oftalmologista esclarece sobre ceratocone na campanha especial Junho Violeta 

O Diário - 28 de junho de 2026

Oftalmologista esclarece sobre ceratocone na campanha especial Junho Violeta 

SAÚDE: O oftalmologista dr. Fernando Heimbeck, especialista em oftalmologia pelo Wills Eye Hospital, no Estados Unidos, é orientador da Liga Acadêmica de Oftalmologia da Facisb (laof)

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Durante o mês de junho, a campanha Junho Violeta busca conscientizar a população sobre o ceratocone, uma doença que pode comprometer significativamente a visão quando não diagnosticada e tratada precocemente. Para esclarecer as principais dúvidas sobre o tema, conversamos com o Dr. Fernando Heimbeck, oftalmologista e especialista em Córnea e Cirurgia Refrativa pelo Wills Eye Hospital, na Filadélfia (EUA), uma das mais renomadas instituições oftalmológicas do mundo. Confira. 

O DIÁRIO: O que é o ceratocone?

DR. FERNANDO: O ceratocone é uma doença da córnea, estrutura transparente localizada na parte anterior dos olhos e responsável por grande parte da focalização das imagens. Nessa condição, a córnea sofre um afinamento progressivo e passa a adquirir um formato mais cônico, causando distorção visual e redução da qualidade da visão.

O DIÁRIO: Quais são os principais sintomas?

DR. FERNANDO: Os sintomas mais comuns incluem visão embaçada, aumento frequente do grau dos óculos, astigmatismo progressivo, sensibilidade à luz, halos ao redor das luzes e dificuldade para enxergar detalhes, mesmo utilizando correção óptica. Geralmente, a doença se manifesta na adolescência ou no início da vida adulta.

O DIÁRIO O ceratocone é uma doença comum?

DR. FERNANDO: Estudos mais recentes demonstram que o ceratocone é mais frequente do que se imaginava há algumas décadas. Atualmente, estima-se que sua prevalência possa chegar a aproximadamente um caso para cada 500 pessoas, variando conforme a população estudada.

O DIÁRIO O ceratocone é hereditário?

DR. FERNANDO: A genética tem participação importante no desenvolvimento da doença. Pessoas com familiares portadores de ceratocone apresentam maior risco de desenvolver a condição. No entanto, sabemos hoje que fatores ambientais também exercem papel fundamental na sua progressão.

O DIÁRIO Por que existe tanta preocupação com o hábito de coçar os olhos?

DR. FERNANDO: Porque atualmente há evidências científicas robustas demonstrando que o trauma mecânico causado por esfregar ou coçar os olhos repetidamente está fortemente associado ao desenvolvimento e à progressão do ceratocone.

Ao esfregar os olhos, forças mecânicas são transmitidas à córnea, promovendo microtraumas repetitivos que podem enfraquecer as fibras de colágeno responsáveis pela sua sustentação. Com o tempo, esse processo favorece o afinamento e a deformação corneana. Por isso, evitar coçar os olhos é uma das orientações mais importantes para proteger a saúde da córnea.

O DIÁRIO Quem apresenta maior risco de coçar os olhos com frequência?

DR. FERNANDO: Pacientes com alergias oculares são os principais grupos de risco. Crianças e adolescentes com conjuntivite alérgica, rinite alérgica e coceira ocular persistente costumam esfregar os olhos repetidamente, muitas vezes sem perceber.

Nesses casos, o tratamento adequado da alergia é fundamental para controlar os sintomas e reduzir o trauma mecânico sobre a córnea.

O DIÁRIO É possível prevenir o ceratocone?

DR. FERNANDO: Nem todos os casos podem ser evitados, especialmente aqueles relacionados à predisposição genética. Entretanto, controlar alergias oculares, evitar esfregar os olhos e realizar acompanhamento oftalmológico regular são medidas importantes para reduzir o risco de progressão da doença e permitir o diagnóstico precoce.

O DIÁRIO Como é feito o diagnóstico?

DR. FERNANDO: Além do exame oftalmológico completo, a tomografia de córnea tornou-se uma ferramenta indispensável para o diagnóstico moderno do ceratocone. Esse exame permite identificar alterações extremamente precoces, muitas vezes antes mesmo do aparecimento dos sintomas visuais mais evidentes.

O DIÁRIO Quais são os tratamentos disponíveis atualmente?

DR. FERNANDO: A oftalmologia evoluiu muito no tratamento do ceratocone. Hoje, quando a doença é diagnosticada precocemente, é possível interromper ou retardar significativamente sua progressão por meio do crosslinking corneano, procedimento que fortalece as fibras da córnea utilizando riboflavina (vitamina B2) associada à luz ultravioleta.

Para melhorar a qualidade visual, podem ser utilizados óculos, lentes de contato especiais e anéis intracorneanos, dependendo da necessidade de cada paciente.

Felizmente, apenas uma pequena parcela dos pacientes evolui para a necessidade de transplante de córnea, geralmente em casos mais avançados.

O DIÁRIO Qual a principal mensagem da campanha Junho Violeta?

DR. FERNANDO: A principal mensagem é simples, mas extremamente importante: não coce os olhos. Um hábito aparentemente inofensivo pode contribuir para o surgimento ou agravamento do ceratocone. A conscientização da população, o tratamento adequado das alergias oculares e o diagnóstico precoce são fundamentais para preservar a visão e garantir melhor qualidade de vida aos pacientes.