Magnifica Humanitas – Parte 1 – Entre Babel e a Cidade de Deus
Diocese de Barretos - 4 de julho de 2026
Magnifica Humanitas – Parte 1 – Entre Babel e a Cidade de Deus
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Por Pe. Matheus Francisco, Vigário Paroquial São João Batista, Olímpia-SP
Caro leitor. Como mencionei na coluna de quarta, daremos início hoje a uma série de estudos sobres os parágrafos do novo documento do Papa Leão XIV sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial. Durante o texto, você se deparará com uma numeração; exemplo: (n.1) este, entre parênteses, representa o parágrafo do documento. No início da nova encíclica Magnifica Humanitas, o Papa apresenta uma imagem forte e provocadora: a humanidade está diante de uma escolha decisiva. Ou constrói uma nova Babel — marcada pela confusão, pelo orgulho e pela desumanização — ou edifica a cidade onde Deus e o homem caminham juntos (n.1). Nos primeiros seis parágrafos do documento, o Santo Padre nos convida a refletir sobre o tempo em que vivemos. Um tempo de grandes avanços, especialmente na inteligência artificial, na robótica e nas novas tecnologias. Nunca tivemos tanto poder sobre a vida humana, e exatamente por isso nunca foi tão urgente perguntar: para onde estamos indo? (n.4) O Papa recorda uma verdade fundamental: o ser humano só compreende plenamente a si mesmo em Jesus Cristo (n.1). Quando o homem se afasta de Deus, corre o risco de perder sua identidade. E este talvez seja o maior perigo do nosso tempo: crescer tecnicamente, mas empobrecer humanamente. Leão XIV insiste que a Igreja não pode ficar calada diante das mudanças do mundo. Assim como Leão XIII falou às grandes questões sociais de sua época através da histórica Rerum Novarum (n.3), hoje a Igreja é chamada a iluminar os desafios da revolução digital. A tecnologia, diz o Papa, não é má em si mesma. Pelo contrário, ela nasce da inteligência humana, que é dom de Deus (n.4). Graças à técnica, muitas condições de vida melhoraram. Mas toda ferramenta carrega uma ambiguidade: pode servir para construir ou para destruir. Tudo depende do coração de quem a usa. Aqui está um ponto central do documento: o problema não é apenas o que a inteligência artificial pode fazer, mas quem a controla e para qual finalidade (n.5). O Papa alerta que hoje grande parte desse poder está nas mãos de grupos privados, econômicos e globais, muitas vezes mais fortes que governos. Isso exige vigilância, ética e discernimento. Nos parágrafos finais desta primeira parte, o Papa lança perguntas profundas: Qual direção queremos seguir como humanidade? Que futuro desejamos construir? Quem está decidindo isso por nós? (n.6) Essas perguntas não são apenas para especialistas. São para todos nós. Porque a tecnologia toca a vida cotidiana, molda pensamentos, influencia escolhas e transforma relações. A grande mensagem destes primeiros parágrafos é clara: não podemos permitir que a técnica decida sozinha o futuro do homem. É preciso colocar novamente a dignidade humana no centro. A inteligência artificial pode acelerar processos, mas não pode substituir a consciência, o amor e a alma humana. O progresso sem Deus pode construir máquinas brilhantes, mas corre o risco de produzir corações vazios. O futuro será verdadeiramente humano somente se permanecer profundamente cristão. Continuaremos nossa viagem pelos próximos parágrafos, na coluna de terça-feira. Shalom minha gente.