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Pais: culpa nas férias escolares

O Diário - 5 de julho de 2026

Pais: culpa nas férias escolares

Mari Armani, psicóloga e especialista em psicanálise. Instagram: @mariarmani.psi

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As férias escolares costumam despertar um sentimento conhecido por muitos pais: a culpa. Enquanto os filhos aproveitam o tempo livre, mães e pais seguem divididos entre o desejo de estar presentes e as exigências do trabalho. Surge então a sensação de que nunca estão fazendo o suficiente.

Sob a perspectiva psicanalítica, essa culpa nem sempre está relacionada a uma falha real. Frequentemente, ela nasce do conflito entre a realidade possível e um ideal de parentalidade construído ao longo da vida. Influenciados por expectativas familiares, culturais e sociais, muitos adultos acreditam que deveriam estar disponíveis o tempo todo para os filhos.

No entanto, o desenvolvimento emocional saudável não depende de uma presença constante. A psicanálise mostra que a criança também cresce por meio de pequenas ausências, aprendendo a lidar com a espera, a frustração e a autonomia. O mais importante não é a quantidade de tempo compartilhado, mas a qualidade do vínculo construído.

Quando a culpa se torna excessiva, pode levar à autocobrança, à sensação persistente de inadequação e ao sofrimento emocional. Nesses casos, a psicoterapia pode ajudar a compreender as origens dessas exigências internas e a construir uma relação mais saudável consigo mesmo e com os filhos.

Afinal, crianças não precisam de pais perfeitos. Precisam de pais reais, capazes de amar, cuidar e estar emocionalmente presentes dentro das possibilidades da vidaParte superior do formulário

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