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Magnifica Humanitas – Parte 2 – Entre Babel e Jerusalém, qual mundo queremos construir?

Diocese de Barretos - 7 de julho de 2026

Magnifica Humanitas – Parte 2 – Entre Babel e Jerusalém, qual mundo queremos construir?

Magnifica Humanitas – Parte 2 – Entre Babel e Jerusalém, qual mundo queremos construir?

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Por Pe. Matheus Francisco, Vigário Paroquial São João Batista, Olímpia-SP


Dando continuidade ao estudo da nova encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, chegamos aos parágrafos 7 ao 14, onde o Santo Padre oferece uma reflexão profunda através de duas imagens bíblicas muito fortes: Babel e Jerusalém. A primeira imagem é a Torre de Babel (n.7). Ali, a humanidade quis construir uma grande obra sem Deus. Buscou poder, estabilidade e fama, mas terminou em confusão e divisão. O Papa usa essa imagem para mostrar um risco atual: usar a tecnologia para exaltar o homem, esquecendo sua dependência de Deus e sacrificando a dignidade humana em nome da eficiência. A segunda imagem é Jerusalém reconstruída por Neemias (n.8). Diferente de Babel, aqui a reconstrução nasce da oração, do discernimento e do trabalho conjunto. Cada pessoa assume sua parte, e Deus está no centro de tudo. Essa é a imagem que o Papa propõe para o nosso tempo: não uma humanidade fechada em si mesma, mas uma humanidade que constrói comunhão. Leão XIV deixa claro que a tecnologia, em si, é um dom e pode fazer muito bem: curar, educar, conectar e cuidar da criação (n.9). Mas ela nunca é neutra. Sempre carrega as intenções de quem a cria e utiliza. Por isso, a pergunta mais importante não é “o que a tecnologia pode fazer?”, mas “a serviço de quem ela está?”. O Papa alerta contra a “síndrome de Babel” (n.10): quando o lucro vale mais que as pessoas, quando as diferenças são anuladas e quando tudo é reduzido a números, dados e desempenho. Nesse caminho, o ser humano corre o risco de ser desumanizado. Em contrapartida, ele propõe o “caminho de Neemias”: reconstruir juntos, valorizar a diversidade, praticar o diálogo e fazer da fraternidade o fundamento das relações (n.10). Isso vale também para o mundo digital. Nos parágrafos seguintes, o Papa apresenta quatro pilares para construir no bem. Primeiro: colocar Deus como fundamento da vida (n.11). Sem Deus, o coração humano permanece inquieto. Segundo: aceitar a fragilidade humana (n.12). Nem tudo pode ser corrigido pela técnica; nossa limitação também nos ensina. Terceiro: viver a corresponsabilidade (n.13). Cada pessoa tem sua parte na construção de um mundo melhor. E quarto: usar uma linguagem evangélica (n.14), que ilumina, constrói pontes e promove a dignidade de todos. A mensagem é clara: o futuro não pode ser construído apenas com inteligência artificial, mas com sabedoria, fé e responsabilidade. Entre Babel e Jerusalém, a escolha continua aberta. Ou construímos um mundo centrado no orgulho humano, ou edificamos uma civilização fundada em Deus, na justiça e na fraternidade. Continuamos amanhã. Shalom minha gente.