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Magnifica Humanitas – Parte 3 – Permanecer Humanos em Tempos de Máquinas

Diocese de Barretos - 8 de julho de 2026

Magnifica Humanitas – Parte 3 – Permanecer Humanos em Tempos de Máquinas

Magnifica Humanitas – Parte 3 – Permanecer Humanos em Tempos de Máquinas

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Por Pe. Matheus Francisco, Vigário Paroquial São João Batista, Olímpia-SP


Chegando aos parágrafos finais da introdução da nova encíclica Magnifica Humanitas, o Papa Leão XIV deixa um apelo forte, direto e profundamente espiritual: na era da inteligência artificial, o maior desafio é permanecer humano (n.15). Depois de refletir sobre os perigos e as possibilidades das novas tecnologias, o Santo Padre volta o olhar para aquilo que nunca pode ser perdido: a dignidade da pessoa humana. Ele recorda que, no Jubileu de 2025, a Igreja caminhou como “peregrina da esperança” e recebeu graças para enfrentar os desafios do futuro (n.15). Entre esses desafios está justamente este novo cenário tecnológico, onde máquinas ganham cada vez mais espaço, rapidez e poder. Mas o Papa é claro: nenhuma máquina pode substituir a beleza da humanidade criada por Deus e plenamente revelada em Jesus Cristo (n.15). A inteligência artificial pode processar dados, gerar respostas e executar tarefas, mas não pode amar, sofrer, perdoar, ter compaixão ou viver a experiência do sagrado. Essa afirmação é central. O verdadeiro progresso não nasce apenas da eficiência, mas de um coração aberto ao outro, de uma inteligência capaz de escutar e de uma vontade que busca aquilo que une e não aquilo que divide (n.15). Em outras palavras: o futuro será verdadeiramente bom somente se continuar profundamente humano. No último parágrafo introdutório da carta (n.16), Leão XIV faz um convite concreto a todos: católicos, cristãos e homens e mulheres de boa vontade. Ele pede que ninguém tenha medo de “sujar as mãos” na construção do nosso tempo. Isso significa participar, refletir, discernir e agir. Não podemos assistir de longe às transformações do mundo como simples espectadores. Inspirando-se novamente em Neemias, o Papa propõe três atitudes: rezar, planejar com sabedoria e trabalhar com perseverança (n.16). A reconstrução de um mundo justo e humano exige colocar Deus no horizonte das decisões e a pessoa no centro de todas as escolhas. E há um detalhe muito belo: o Papa lembra que as “pedras rejeitadas” — os pobres, os doentes, os migrantes e os pequenos — devem se tornar a pedra angular da nova sociedade (n.16). Isso revela um critério decisivo: uma tecnologia que exclui os mais frágeis jamais poderá ser chamada de progresso. A grande conclusão introdutória é essa: somos chamados a ser construtores de comunhão, e não arquitetos de Babel (n.16). A técnica pode ajudar a construir o futuro, mas somente o amor poderá torná-lo habitável. O maior risco do nosso tempo não é criar máquinas inteligentes, mas formar corações frios. Permanecer humano é, hoje, um ato de resistência espiritual. Na coluna de terça-feira, entraremos no estudo do capítulo 1 do documento, criando juntos um caminho de estudo. Shalom minha gente.