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Médico aponta telecirurgia como marco para a saúde pública

Sandra Moreno - 6 de julho de 2026

saúde

SAÚDE: Romagnolo é diretor e faz parte da equipe de cirurgiões do HA

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Hospital de Amor amplia o uso da tecnologia para qualificar profissionais e fortalecer o atendimento pelo SUS

A realização da primeira telecirurgia robótica entre Barretos e Porto Velho (RO) no final de junho marcou o início de uma nova etapa na inovação em saúde desenvolvida pelo Hospital de Amor. Em entrevista ao programa A Verdade Total em Tempo Real, sábado (04), o médico coloproctologista, pesquisador e professor Dr. Luiz Romagnolo afirmou que o procedimento representa mais do que um avanço tecnológico.

"Não foi um evento pontual. Foi o pontapé inicial de um trabalho que vai continuar e transformar a forma como levamos conhecimento e atendimento para outras regiões do país", destacou.

Segundo o médico, a cirurgia foi realizada por meio de uma estrutura de conectividade de alta velocidade, com dupla rede de fibra óptica e sistemas de redundância, garantindo estabilidade durante todo o procedimento. A operação, realizada a cerca de 2.700 quilômetros de distância, ocorreu durante duas horas sem interrupções.

Romagnolo explicou que a telecirurgia não substitui a equipe médica presente no local. Conforme determina a legislação, um especialista permanece ao lado do paciente para assumir a cirurgia caso seja necessário. Além disso, o procedimento permite capacitar médicos à distância.

"A ideia é dar acesso aos colegas que terão plataforma robótica e precisam de treinamento. O objetivo não é operar sozinho, mas compartilhar experiência e ajudar em casos mais complexos", afirmou.

O médico ressaltou que o Hospital de Amor já realizou cerca de 4 mil cirurgias robóticas, tornando-se o maior centro brasileiro nessa modalidade. Para ele, essa experiência permite que Barretos compartilhe conhecimento com outras regiões.

"Só Barretos tem quase 4 mil cirurgias robóticas realizadas. Não existe hoje um hospital no Brasil com maior volume nessa área. Quem tem mais experiência para ensinar somos nós", disse.

Entre os próximos passos, Romagnolo informou que a telecirurgia fará parte da rotina da instituição. A programação prevê conexões semanais com Porto Velho e, futuramente, com outros centros, permitindo treinamento contínuo e suporte em procedimentos de maior complexidade.

O especialista também destacou que os benefícios da tecnologia vão além da cirurgia robótica.

"A cirurgia é apenas um ponto. O que estamos trazendo é conectividade. Isso vai permitir transmissão de exames em tempo real, consultas à distância e integração entre hospitais e serviços de saúde", explicou.

Segundo ele, a inovação também reflete diretamente nos resultados dos pacientes. Estudos desenvolvidos pelo Hospital de Amor apontam recuperação mais rápida, menor tempo de internação e aumento da sobrevida em determinados tipos de câncer com o uso da cirurgia robótica.

"Os pacientes operados com essa tecnologia têm mais chances de sobreviver e uma recuperação muito melhor. É um benefício real para quem depende do SUS", ressaltou.

Ao encerrar a entrevista, Romagnolo reforçou que, apesar dos avanços tecnológicos, a prevenção continua sendo a principal ferramenta contra o câncer.

"A prevenção é o melhor tratamento. A mensagem do Hospital de Amor é que a prevenção acontece o ano inteiro, e não apenas durante as campanhas de conscientização", concluiu.