Da decepção ao recomeço: o que o Ubuntu pode ensinar à Seleção Brasileira
O Diário - 8 de julho de 2026
Kleber Aparecido da Silva é Professor Associado 4 do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais e em Linguística na Universidade de Brasília. Foi Visiting Scholar em Stanford University, Penn State University e CUNY Graduate Center, em New York. É Bolsista em Produtividade em Pesquisa pelo CNPq
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A eliminação precoce do Brasil na Copa do Mundo trouxe mais do que tristeza. Revelou, mais uma vez, que o futebol não se vence apenas com talento individual, tradição ou camisas pesadas. Em um esporte cada vez mais coletivo, a diferença está na capacidade de construir confiança, solidariedade e propósito comum. Talvez seja hora de buscarmos inspiração onde poucos imaginam: na filosofia africana do Ubuntu. Seu princípio central — “Eu sou porque nós somos” — ensina que ninguém alcança a excelência sozinho. O sucesso de cada pessoa depende da força da comunidade.
No futebol, isso significa compreender que o brilho individual só faz sentido quando fortalece o grupo. Significa substituir o protagonismo isolado pela cooperação, a vaidade pela responsabilidade compartilhada e a crítica destrutiva pelo compromisso coletivo. O Brasil continua sendo um dos maiores celeiros de talentos do planeta. O desafio não é produzir craques, mas formar equipes capazes de jogar como uma verdadeira comunidade, dentro e fora de campo.
A próxima Copa começa muito antes do apito inicial. Ela começa na reconstrução da confiança entre jogadores, comissão técnica, dirigentes e torcida. Começa na humildade para aprender com os erros e na coragem para reinventar caminhos. Se o futebol brasileiro conseguir incorporar o espírito do Ubuntu, talvez descubra que o maior título não é apenas levantar uma taça, mas recuperar uma identidade coletiva capaz de transformar talento em conquista. Afinal, como ensina a sabedoria africana, ninguém vence sozinho.