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Rotina: Por que voltar dói?

O Diário - 9 de julho de 2026

Rotina: Por que voltar dói?

Mari Armani, psicóloga e especialista em psicanálise. Instagram: @mariarmani.psi

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Há manhãs em que o despertador toca e não é apenas o dia que recomeça. Algo dentro de nós também precisa ser reorganizado. Por isso, voltar à rotina após férias, feriados ou períodos de descanso pode ser mais difícil do que parece.

Na perspectiva psicanalítica, esse desconforto não se reduz à preguiça ou à falta de disciplina. O retorno à rotina representa a retomada das exigências da realidade, das responsabilidades e dos limites que haviam sido temporariamente suspensos. Durante o descanso, o psiquismo também desacelera, abrindo espaço para desejos, reflexões e emoções que o cotidiano muitas vezes mantém em segundo plano.

A rotina pode funcionar como uma estrutura organizadora e protetiva. No entanto, quando está associada à sobrecarga, à falta de sentido ou a exigências excessivas, seu retorno pode despertar resistência, cansaço e até uma sensação de perda. Em alguns casos, o sofrimento não está apenas no fim do descanso, mas na necessidade de retornar a um modo de vida que já não parece plenamente habitável.

Nem toda dificuldade de voltar à rotina indica um problema emocional. Muitas vezes, trata-se apenas de um período natural de adaptação. Mas quando esse desconforto se torna frequente e intenso, pode ser um convite para refletir sobre a relação que temos com nosso trabalho, nossos desejos e nossa forma de viver o cotidiano.