Deus sabe esperar: entre o trigo e o joio, o tempo da misericórdia
Diocese de Barretos - 19 de julho de 2026
Deus sabe esperar: entre o trigo e o joio, o tempo da misericórdia
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Por Dom Milton Kenan Júnior, Bispo de Barretos
Depois de ter falado da Palavra como semente lançada em diversos terrenos, Jesus agora fala do campo onde foi semeado trigo, mas para surpresa do patrão, durante a noite vieram alguns e semearam joio no meio do trigo, criando indignação entre os empregados que desejavam arrancar o mais depressa possível o joio. O patrão, porém, ao contrário dos empregados diz que é preciso deixar que trigo e joio cresçam juntos, e esperar a colheita, pois, com facilidade pode se confundir o joio com o trigo e, pensando arrancar o joio pode ser que seja arrancado o trigo. Na atitude do patrão, Jesus quer mostrar aos seus discípulos a atitude do Pai do céu. Ele parece ficar indiferente a sorte do seu campo que é a Igreja; pois nela encontram-se bons e maus, gente que quer levar a sério a fé, e gente que embora participe da vida da comunidade nem sempre se esforça para viver o que crê. A tentação é querer conservar uns e eliminar outros. Jesus diz que não é assim que Deus age. Deus sabe esperar. Deus é paciente e dá tempo para que todos se convertam. Ao contrário das sementes, as pessoas podem mudar. E Deus sempre fica à espera que aqueles que agem mau, aprendam a fazer o bem; se convençam de que o mal nunca compensa, e o bem é garantia de felicidade e paz. Jesus inaugura o reino dos “últimos tempos”, não como juiz que separa os bons dos maus, mas como pastor universal, vindo antes de tudo para os pecadores. Não exclui ninguém do Reino; todos são a ele chamados, todos podem aí entrar. Em todas as atitudes da sua vida, Jesus encarna a paciência divina. Nenhum pecado pode cortar irremediavelmente as pontes de comunicação com a força misericordiosa de Deus. A Igreja, corpo de Cristo, tem a missão de encarnar entre os homens a paciência de Jesus. Seu papel é revelar no mundo, a verdadeira face do amor. Na terra, o trigo está sempre misturado com o joio, e a linha de demarcação entre um e outro não passa pelos nossos registros ou fronteiras dos países, está no coração e na consciência de cada pessoa. Deve-se sempre recordar que a separação entre os bons e os maus só será feita depois da morte. Deus aceita o escândalo do homem limitado e mau, e Cristo parece até mesmo provoca-lo com seu comportamento, tratando livremente com bons e maus, justos e pecadores; Não anuncia uma comunidade de puros e santos. É paciente com todos e deixa aos pecadores tempo para amadurecer a sua conversão. No Reino dos céus, anunciado por Jesus se exige confiança na ação de Deus que sabe esperar a livre decisão de cada pessoa. Não se trata de aceitação passiva dos acontecimentos, nem certo desleixo, mas uma atitude positiva de tolerância, paciência e respeito pelos tempos e pelas etapas de crescimento, tanto no interior das comunidades, como também no interior de cada pessoa, e uma atenção ativa para com a ação da graça e aos sinais dos tempos, que surgirão no momento mais oportuno.