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Entre Marta e Maria: o desafio de não perder o essencial

Diocese de Barretos - 31 de julho de 2026

Entre Marta e Maria: o desafio de não perder o essencial

Entre Marta e Maria: o desafio de não perder o essencial

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Por Pe. Pedro Lopes, Vigário São Miguel Arcanjo, Miguelópolis-SP

Nunca tivemos tantas facilidades e, ao mesmo tempo, nunca estivemos tão ocupados. Corremos para cumprir horários, responder mensagens, resolver problemas, pagar contas e dar conta de inúmeras responsabilidades. Ao final do dia, muitas vezes fica a sensação de que fizemos muito, mas não vivemos profundamente quase nada. No Bíblia temos uma situação um tanto quanto semelhante. Marta recebe Jesus em sua casa e se preocupa com os afazeres, procurando oferecer o melhor ao Mestre. Maria, por sua vez, senta-se aos pés de Jesus para escutá-Lo. Diante da reclamação de Marta, Jesus não despreza o serviço, mas faz um alerta: "Marta, Marta, tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Uma só coisa é necessária." Quantas vezes nos parecemos com Marta! Vivemos correndo de um lado para o outro, sempre ocupados, sempre pressionados, sempre conectados. Fazemos muitas coisas importantes, mas corremos o risco de perder aquilo que é essencial. O problema não está no trabalho, nas responsabilidades ou no desejo de cuidar bem da família. Tudo isso é expressão de amor e dedicação. O perigo está em permitir que a agitação tome conta do coração e nos impeça de cultivar aquilo que sustenta a nossa vida interior. Sem momentos de silêncio, oração e escuta, vamos nos tornando cansados, impacientes e vazios. O coração humano precisa de pausas. Precisa reencontrar o sentido daquilo que faz. Precisa recordar que não é uma máquina de produzir resultados. Maria escolheu permanecer na presença de Jesus. E essa escolha continua sendo necessária também para nós. Reservar alguns minutos para rezar, participar da Eucaristia, meditar a Palavra de Deus ou simplesmente silenciar diante do Senhor não é perda de tempo. É cuidar da fonte que alimenta toda a nossa existência. Talvez o grande desafio do nosso tempo seja justamente este: aprender a equilibrar o fazer e o estar. Trabalhar com dedicação, sem perder a capacidade de contemplar. Servir com generosidade, sem abandonar a intimidade com Deus. Em meio à correria dos nossos dias, que possamos ouvir novamente o convite de Jesus e redescobrir o que realmente importa. Porque, quando encontramos o essencial, todo o resto encontra o seu devido lugar.