Saúde mental e intolerância religiosa no Brasil
O Diário - 29 de julho de 2026
Islander Alexandre Nunes Cesario, estudante do 5º periodo do curso de psicologia do Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos - UNIFEB, orientado pela profª Ana Carolina de Lima Souza
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A intolerância religiosa é um fenômeno que ultrapassa a simples discordância de crenças; ela fere, exclui e adoece. Compreender seus impactos psicossociais é fundamental para desmistificar o preconceito e reconhecê-lo pelo que de fato é, uma forma de violência. Segundo o professor e escritor Elie Wiesel (1997), o ódio tem origem justamente na intolerância, que se instala de maneira sutil, quase imperceptível, e por isso é tão difícil de identificar e combater. Uma vez enraizada, ela inevitavelmente se transforma em desprezo e ódio pelo outro, alimentando um ciclo que só gera mais ódio. Para o autor, odiar é negar a humanidade do outro.
Esse tipo de intolerância costuma se manifestar, em um primeiro momento, por meio do desprezo e da falta de respeito, mas pode evoluir para formas mais graves e violadoras, como a segregação física e os ataques a pessoas, propriedades e símbolos religiosos. Trata-se de um fenômeno que desumaniza, produz ódio, opressão e desigualdade, despersonalizando e desqualificando o indivíduo. Para quem é atingido, as consequências costumam incluir dor, estresse, desesperança e perda de confiança em si mesmo e nos outros; fatores que podem desencadear traumas psicológicos e comprometer a saúde física, na medida em que o sofrimento emocional se converte em adoecimento.
Ao longo da história, diferentes grupos foram alvo de perseguições motivadas por questões religiosas e culturais: os povos indígenas durante o processo de colonização, as populações africanas escravizadas e as comunidades judaicas exterminadas sob o regime nazista são exemplos emblemáticos. Esses episódios evidenciam como a intolerância pode levar à exclusão, à estigmatização e à violação dos direitos humanos.
Fica evidente, portanto, que a intolerância religiosa, quando analisada à luz da ciência e da história, revela-se muito além de um conflito entre crenças. Trata-se de um fenômeno de violência com repercussões profundas sobre a saúde mental, a identidade e a dignidade humana. Reconhecê-la em sua real dimensão é o que permite transformar o conhecimento em consciência; e consciência, em sociedades mais justas e respeitosas para todos.