Tudo sem Bolsonaro, nada com Lula!
O Diário - 31 de julho de 2026
Danilo Nunes, advogado, professor. Pós-doutor em Direito pela FDRP/USP. Membro da ABC
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Até aqui, o novato Renan Santos do partido Missão desmantelou a retórica de direita x esquerda que acabou, como disse Michel Temer, com a dissolução da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, em tradução para os mais jovens que nem eram nascidos em 91) mostrando-se o presidenciável mais pragmático e linear do páreo.
Para além das “paranóias missionárias” como erradicar programas de inclusão social num país subdesenvolvido que levaria boa parte da população ao submundo da fome e da miséria absoluta, Renan tem capitalizado eleitorado que é “nem-nem”, nem Lula ou o PT, nem qualquer coisa que assine Bolsonaro. Concentra-se na faixa de 16 a 24 anos, a chamada geração Z, quem indica voto nele, segundo dados do Datafolha.
Com esta idade, os eventuais eleitores não têm a experiência do Regime Militar de 64 a 85, não viveram “As Diretas Já”, não sabem quem foram os “Caras Pintadas” nem viram o impedimento de Collor, assim como não sabem da hiperinflação dos anos 80 ou da implantação do Plano Real na década de 90, muito menos a implantação dos programas liberais de transferência de renda, criados por Tatcher nos anos 70, no Reino Unido, tão satanizados pelos que se intitulam de “direita” e que não sabem o que dizem!
Estas pessoas, por outro lado, cansaram de ficar sabendo o que acontece no almoço de família de domingo no melhor estilo “camiseta furada” da família Bolsonaro que só almoça e janta confusão, além de bebericar com as lagrimas dos aliados!
E é isto que espanta a quem milita pelo status quo tanto de “direita” como de “esquerda”: saber que esta geração de 16 a 24 anos é que ditará os rumos da política pelos próximos 50 anos, podendo Renan ter plantado uma semente para si próprio ou para que alguém no futuro faça de Lula e Bolsonaro uma memória cringe, no estilo foto polaroid!