A guerra no século XXI
O Diário - 1 de agosto de 2026
Danilo Pimenta Serrano é advogado e professor universitário
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As batalhas atualmente travadas na Ucrânia e no Irã estão mostrando claramente uma mudança de paradigma nas guerras modernas. As grandes colunas de blindados e os incontáveis esquadrões de infantaria, comuns desde a Primeira Guerra Mundial, cedem lugar aos pequenos drones e equipamentos de baixo custo.
Isso ficou claro nos recentes reveses das duas principais potências militares da atualidade, Estados Unidos e Rússia. O primeiro, apesar de seu poderio militar sem precedentes, não conseguiu atingir seus objetivos militares no Irã, que vem mostrando surpreendente resiliência frente aos norte-americanos, por meio de mísseis e drones de baixo custo — estes produzidos aos milhares — mantendo firme o regime dos aiatolás.
Igualmente, a Rússia passou a sofrer paradigmáticos reveses em sua guerra contra a Ucrânia, desde que os ucranianos passaram a utilizar drones, compactos e relativamente baratos, para infligir danos significativos à infraestrutura a centenas de quilômetros adentro do território russo.
Fica claro, portanto, que a estrutura militar que garantiu uma inconteste superioridade ao longo do século XX e início do século XXI passa a se mostrar obsoleta diante de soluções baratas, descentralizadas e produzidas em larguíssima escala.
Esse cenário nos mostra que a “guerra do futuro” já começou, e tudo indica que equipamentos de baixo custo, produzidos em grandes quantidades e de modo descentralizado, terão um papel central nas batalhas daqui em diante. Some-se a isso o papel da inteligência artificial, já amplamente utilizada no campo de batalha, e temos o esboço de um novo capítulo na história das guerras.
Diante desse novo cenário, a supremacia militar deixa de ser medida pelo peso dos blindados ou pelo orçamento destinado aos arsenais tradicionais. O verdadeiro poder agora reside na capacidade de integrar automação, inteligência artificial e produção em escala de tecnologias acessíveis.
DANILO PIMENTA SERRANO É ADVOGADO E PROFESSOR UNIVERSITÁRIO