Magnifica Humanitas – Parte 8 – Uma Fé que Ilumina a História e Transforma o Mundo
Diocese de Barretos - 5 de agosto de 2026
Magnifica Humanitas – Parte 8 – Uma Fé que Ilumina a História e Transforma o Mundo
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Por Pe. Matheus Francisco, Vigário Paroquial São João Batista, Olímpia-SP
Ao percorrer os parágrafos 33 a 45 da encíclica Magnifica Humanitas, que paramos na coluna do último dia 28 de julho, o Papa Leão XIV nos mostra que a Doutrina Social da Igreja é uma obra construída ao longo do tempo. Ela não nasceu pronta, mas foi sendo enriquecida por diferentes Papas que souberam responder, à luz do Evangelho, aos desafios de cada época (45). Tudo começou com um novo impulso dado por São João XXIII. Em suas encíclicas Mater et Magistra e Pacem in Terris, ele recordou que a Igreja não pode cuidar apenas das realidades espirituais, esquecendo as necessidades concretas das pessoas (33). A paz, ensinava o Papa, só será verdadeira quando estiver fundada na verdade, na justiça, no amor e na liberdade. Além disso, apresentou os direitos humanos como uma linguagem capaz de unir todos os povos na defesa da dignidade humana (33). O Concílio Vaticano II aprofundou esse caminho. A Constituição Gaudium et Spes apresentou uma Igreja próxima da humanidade, que escuta, dialoga e procura compreender as alegrias e as angústias do mundo (34). O Concílio também reafirmou a liberdade religiosa como um direito fundamental, baseado na dignidade de toda pessoa humana (34). Com São Paulo VI, a Doutrina Social ganhou uma nova expressão: o verdadeiro desenvolvimento humano é o caminho da paz (35). O Papa ensinou que desenvolver não significa apenas produzir mais riquezas, mas criar condições para que todas as pessoas possam viver com dignidade. Mais tarde, recordou que o Evangelho continua atual em qualquer época e deve iluminar também as novas formas de pobreza, exclusão e injustiça (36). São João Paulo II levou essa reflexão para o mundo do trabalho e da economia globalizada. Recordou que o trabalho nunca pode ser reduzido a um simples custo de produção, pois o trabalhador vale mais do que qualquer lucro (37). Também insistiu na solidariedade entre os povos e ensinou que democracia e economia só são verdadeiramente boas quando estão a serviço da pessoa humana e do bem comum (38-39). Bento XVI aprofundou esse ensinamento ao afirmar que a caridade precisa caminhar sempre unida à verdade (40-41). Nenhum modelo econômico pode ser considerado justo se gera exclusão, destrói a criação ou coloca o mercado acima da pessoa humana. Por sua vez, o Papa Francisco ampliou ainda mais esse horizonte. Convidou a Igreja a escutar os pobres, os migrantes e todos os que sofrem (42). Em Laudato Si', mostrou que o cuidado da criação e o cuidado dos pobres são inseparáveis (43). Em Fratelli Tutti, recordou que a fraternidade e a amizade social são o único caminho para superar as divisões do mundo (44). E, em Dilexit Nos, ensinou que todo compromisso social nasce do amor ao Coração de Cristo e se concretiza no amor aos irmãos (44). Ao concluir este percurso histórico, Leão XIV nos oferece uma certeza: a Doutrina Social da Igreja continua viva porque o Evangelho continua vivo. As circunstâncias mudam, surgem novos desafios, como a inteligência artificial, mas os princípios permanecem os mesmos: a dignidade da pessoa, o valor do trabalho, a solidariedade, a paz, a fraternidade e o cuidado da Casa Comum (45). A história muda de cenário, mas o Evangelho continua sendo a luz que orienta os passos da humanidade. É nele que a Igreja encontra a força para responder às perguntas de cada geração e defender, em todos os tempos, a dignidade inviolável da pessoa humana. E o estudo continua nas próximas colunas. Shalom minha gente.