Esqueci minha senha
Nunca Sozinhos na Travessia

Diocese de Barretos - 9 de agosto de 2026

Nunca Sozinhos na Travessia

Nunca Sozinhos na Travessia

Compartilhar


Por Dom Milton Kenan Júnior, Bispo de Barretos

Tendo despedido a multidão, após a multiplicação dos pães (cf. Mt 14, 22-33), Jesus tendo enviado os discípulos à sua frente para o outro lado do mar da Galileia, Jesus subiu o monte para orar a sós. A oração é a atitude que Jesus todas as vezes que precisa tomar decisões importantes, ou então deve manifestar algum aspecto da sua vida e missão que exige mais abertura e disponibilidade dos seus discípulos. Mateus diz que Jesus não tem pressa. A noite avança, e ele continua sozinho; final foi para isso que ele tendo recebido a notícia da morte de João Batista havia se distanciado com os discípulos das aldeias onde se dedicava à pregação e realizou a maioria dos seus milagres. Chegado alta hora da noite, Jesus vai caminhando, sobre as águas, ao encontro dos discípulos que enfrentava uma daquelas tempestades comuns que ocorrem, ainda hoje, no mar da Galileia. No meio da turbulência do mar, e lutando com a força do vento eles veem alguém que vem ao encontro deles caminhando sobre as águas. Diz o evangelista que eles ficaram apavorados e diziam ser um fantasma, cheios de medo. Jesus, porém, para acalmá-los lhes diz: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” Aquela travessia no mar da Galileia é mais do que uma viagem, ela simboliza o estado dos discípulos que muitas vezes enfrentam sérios obstáculos na sua missão. E, ao mesmo tempo revela o medo que sempre os acompanha, ameaçando a perseverança e a fidelidade à tarefa que Jesus lhes confiou. O gesto de Jesus que caminha sobre as águas para encontrar-se com os discípulos que enfrentavam a fúria do mar e a ameaça do vento é a grande lição que o evangelista quer transmitir: por maiores que sejam as dificuldades Jesus jamais abandona os discípulos, e está sempre pronto a socorrê-los, mas, não deixa de reprova-los pela falta sua falta de fé e suas hesitações. Para os evangelistas o contrário da fé não é a incredulidade, mas o medo. Por isso, Jesus exige sempre confiança e coragem para aqueles que se aventuram no seu discipulado. Mateus, porém, prolonga este fato falando-nos de Pedro que parece desafiar Jesus quando lhe pede de poder ir ao seu encontro. Jesus lhe permite caminhar sobre as águas como Ele próprio caminhava; no entanto, “quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: ‘Senhor, salva-me! “. Ao estender sua mão para socorrê-lo, Jesus também reprova a sua desconfiança: “Homem fraco na fé, por que duvidaste? “A falha de Pedro consistiu em apavorar-se em vez de fixar seu olhar em Jesus que vinha a seu encontro. Todas as vezes que desviamos nosso olhar de Cristo, como fez Pedro, também nós sucumbimos. Ao encerrar esse relato, o evangelista diz que os que estavam no barco, prostraram-se diante de Jesus e exclamaram: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus! “. Neste fato, Jesus quer ensinar-nos que Ele jamais nos deixa sozinhos diante das dificuldades da vida; por isso ao confiar nele, podemos estar certos de que a sua graça nos sustenta.