A linguagem também transforma a sociedade
O Diário - 11 de agosto de 2026
Kleber Aparecido da Silva é Professor Associado do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais e em Linguística na Universidade de Brasília. Foi Visiting Scholar em Stanford University, Penn State University e CUNY Graduate Center, em New York. É Bolsista em Produtividade em Pesquisa pelo CNPq
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A linguagem está presente em praticamente tudo o que fazemos. Por meio dela, expressamos ideias, construímos relações, ensinamos, aprendemos e participamos da vida em sociedade. Mas a linguagem nunca é apenas uma forma de comunicação. Ela também revela relações de poder, produz pertencimentos e influencia a maneira como reconhecemos — ou silenciamos — a diversidade.
Essa reflexão esteve no centro da 5ª Jornada Internacional de Linguística Aplicada Crítica (JILAC) e da 5ª Conferência Internacional de Estudos da Linguagem (CIELIN), que reuniram pesquisadores, professores, estudantes e profissionais interessados em compreender os desafios da linguagem em uma sociedade marcada por profundas transformações.
Discutir diversidade, inclusão e políticas linguísticas significa perguntar quem tem direito à palavra, quais vozes são valorizadas e quais ainda encontram dificuldades para serem ouvidas. Em um país plural como o Brasil, essas questões dizem respeito não apenas às universidades, mas também às escolas, às instituições públicas e ao cotidiano de cada cidadão.
A educação linguística pode contribuir para combater preconceitos, ampliar o diálogo e reconhecer diferentes formas de falar, viver e compreender o mundo. Por isso, transformar a sociedade também exige transformar nossas práticas de comunicação. Construir pontes entre linguagem, educação e inclusão é um compromisso coletivo. Quando aprendemos a ouvir diferentes vozes, ampliamos nossa compreensão do outro e fortalecemos as bases de uma sociedade mais democrática, plural e socialmente justa.