O pai interior
O Diário - 15 de agosto de 2026
Mari Armani, psicóloga clínica, especialista em psicanálise. @mariarmani.psi WhatsApp: 17 982251161
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Você já prometeu que jamais repetiria com seu filho aquilo que viveu na infância? Ainda assim, em alguns momentos, percebe que reage exatamente como seu pai ou, no extremo oposto, tenta fazer tudo diferente e acaba inseguro.
Para a Psicanálise, isso acontece porque nossa infância não permanece apenas nas lembranças. As primeiras relações de cuidado tornam-se referências internas que influenciam, muitas vezes de forma inconsciente, a maneira como amamos, educamos e lidamos com conflitos. Freud chamou esse fenômeno de repetição: aquilo que não foi elaborado tende a reaparecer como forma de agir.
Por isso, reações intensas diante de situações simples podem revelar emoções antigas despertadas pelo presente. Em vez de perguntar apenas “por que meu filho fez isso?”, vale refletir: “o que essa situação despertou em mim?”.
Ser um bom pai não significa ser perfeito, mas reconhecer erros, reparar vínculos e construir uma relação baseada em respeito e afeto.
Quando a culpa, a irritação ou as repetições se tornam frequentes, a psicoterapia pode ajudar a compreender a própria história e abrir espaço para escolhas mais conscientes.
Afinal, a questão não é apenas se o pai que você teve ainda vive em você, mas quem, dentro de você, está educando seu filho hoje.