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Internacionalizar a escola sem sair do próprio território

O Diário - 16 de agosto de 2026

Internacionalizar a escola sem sair do próprio território

Kleber Aparecido da Silva é Professor Associado do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais e em Linguística na Universidade de Brasília. Foi Visiting Scholar em Stanford University, Penn State University e CUNY Graduate Center, em New York. É Bolsista em Produtividade em Pesquisa pelo CNPq

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Internacionalizar uma escola não significa necessariamente levar seus estudantes para outros países. Significa criar oportunidades para que compreendam, dialoguem e produzam conhecimento em contato com diferentes realidades, culturas e perspectivas. Essa internacionalização pode acontecer sem passaporte, aeroporto ou grandes investimentos. Pode começar na sala de aula, no bairro, na comunidade e nas perguntas que fazem parte do cotidiano dos estudantes.

Uma parceria internacional ganha sentido quando deixa de ser apenas uma palestra, videoconferência ou troca de mensagens e passa a integrar o currículo. Imagine, por exemplo, uma escola brasileira em parceria com uma escola da África do Sul. As duas poderiam investigar temas comuns, como água, mudanças climáticas, racismo, juventudes, alimentação, tecnologias digitais ou desigualdade educacional.

Os estudantes poderiam pesquisar como essas questões aparecem em suas comunidades e produzir mapas, entrevistas, podcasts, vídeos ou relatórios comparativos. Nesse processo, o inglês deixa de ser apenas uma disciplina e passa a ser também uma língua de comunicação e produção de conhecimento.

Mais importante: o estudante não aprende apenas sobre outro país. Aprende a olhar para seu próprio território a partir de novas perspectivas. Percebe que problemas locais podem ter dimensões globais e que sua comunidade também possui conhecimentos capazes de dialogar com o mundo. As tecnologias digitais ampliam essas possibilidades, mas não garantem, sozinhas, uma internacionalização de qualidade. Uma videoconferência internacional só ganha valor pedagógico quando está vinculada a perguntas relevantes, objetivos curriculares e processos de investigação.

Há também uma questão de equidade. Se internacionalizar significar apenas viajar para o exterior, essa experiência continuará restrita a poucos. Viagens podem ser transformadoras, mas não devem ser a única porta de entrada para uma educação internacionalizada. Uma escola comprometida com a democratização do conhecimento pode aproximar seus estudantes de universidades, pesquisadores, comunidades e escolas de outros países, sem abandonar sua própria realidade. Em síntese, é possível internacionalizar a nossa escola sem sair do nosso próprio território.