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Magnifica Humanitas – Parte 12 –  O Bem Comum é Responsabilidade de Todos

Diocese de Barretos - 18 de agosto de 2026

Magnifica Humanitas – Parte 12 –  O Bem Comum é Responsabilidade de Todos

Magnifica Humanitas – Parte 12 –  O Bem Comum é Responsabilidade de Todos

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Por Pe. Matheus Francisco, Vigário Paroquial São João Batista, Olímpia-SP


Depois de refletir sobre a dignidade e os direitos humanos, o Papa Leão XIV apresenta, nos parágrafos 59 a 64 da Magnifica Humanitas, um dos grandes princípios da Doutrina Social da Igreja: o bem comum. Em palavras simples, o Papa nos recorda que ninguém constrói uma sociedade verdadeiramente humana pensando apenas em si mesmo. O ponto de partida é a dignidade de cada pessoa. Se todo homem e toda mulher possuem um valor que nenhum poder pode eliminar, então nossas escolhas pessoais, econômicas e políticas precisam buscar aquilo que favorece a vida de todos (59). Para o cristão, sair do pequeno mundo dos próprios interesses e trabalhar pelo bem comum não é algo opcional: é uma exigência da própria fé (59). Mas o que significa bem comum? O Concílio Vaticano II o define como o conjunto das condições que permitem às pessoas e aos grupos alcançar mais plenamente sua realização (60). Portanto, não se trata simplesmente de somar os interesses individuais. O bem comum é maior. É aquilo que conseguimos construir quando nossas ações se unem em favor de todos (60-61). Vivemos, porém, em uma cultura que frequentemente nos ensina a pensar: “primeiro eu”. O Papa alerta que é uma ilusão acreditar que, buscando apenas nosso próprio progresso, automaticamente estaremos contribuindo para o bem de todos (61). Somos interdependentes. O que fazemos influencia a vida dos outros, e aquilo que os outros fazem também repercute sobre nós. Por isso, construir o bem comum exige diálogo. Uma sociedade é um povo vivo, e não apenas uma multidão de indivíduos. Existem diferenças de opiniões, interesses e visões de mundo, mas essas diferenças não precisam produzir divisão permanente. É possível construir consensos e projetos comuns quando existe disposição para ouvir, dialogar e caminhar juntos (62). Nesse processo, o Estado possui uma responsabilidade importante: promover a coesão social e harmonizar os diferentes interesses, sem abandonar os mais frágeis (63). A política, quando pensa apenas no curto prazo ou se transforma em disputa permanente, perde sua finalidade maior: servir à sociedade e promover o bem de todos (63). O Papa amplia ainda mais essa reflexão para o cenário internacional. As nações também precisam aprender a cooperar em busca do bem comum global, respeitando a identidade e a dignidade de cada povo (64). Nenhuma nação pode ser eliminada, dominada ou tratada como inferior. Essa mensagem é extremamente atual diante de um mundo marcado por desigualdades, conflitos e avanços tecnológicos. Também no desenvolvimento da inteligência artificial será necessário perguntar: esta tecnologia beneficia apenas alguns ou contribui para o bem de todos? O verdadeiro progresso não acontece quando alguns chegam mais longe, mas quando ninguém é deixado para trás. O bem comum começa quando deixamos de perguntar apenas “o que ganho?” e aprendemos a perguntar “que bem posso construir para todos?”.