Que Gramática Ensinar
O Diário - 20 de agosto de 2026
Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Série Educação
Pouca gente percebe, mas muda naturalmente a maneira de falar conforme a situação. A conversa entre amigos não é igual à entrevista de emprego, assim como uma mensagem de celular não segue o mesmo padrão de um texto acadêmico. Essa capacidade de adaptação mostra que ensinar gramática vai muito além de decorar regras, pois a escola precisa formar estudantes capazes de compreender a língua em funcionamento e, ao mesmo tempo, dominar a norma-padrão sem desprezar a diversidade linguística.
Mais do que ensinar nomes de classes gramaticais e funções sintáticas, a escola deve ajudar o estudante a entender como a língua produz sentidos. Interpretar por que uma manchete desperta curiosidade ou perceber como uma propaganda convence o consumidor são exemplos de que a gramática está presente nas escolhas que fazemos ao falar e escrever. Quando o ensino se aproxima dessas situações, o conteúdo deixa de parecer distante e passa a fazer sentido na vida dos alunos.
Também é papel da escola garantir que todos tenham acesso à norma-padrão, indispensável em concursos, processos seletivos e documentos oficiais, sem transformar as demais variedades da língua em motivo de preconceito. Quem aprende a utilizar tanto a linguagem do cotidiano quanto a exigida nos contextos formais amplia suas possibilidades de participação social. De fato, saber usar a língua – em diferentes situações – não é apenas uma questão de correção, mas uma forma de ampliar as possibilidades de comunicação e de participação na vida social.
Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie