Nuvens escuras no horizonte
O Diário - 20 de agosto de 2026
DANILO PIMENTA SERRANO É ADVOGADO E PROFESSOR UNIVERSITÁRIO
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Sou um otimista, sempre fui e sempre serei, mas apesar dessa minha qualidade, tenho ficado preocupado com as perspectivas futuras do Brasil.
Ao longo das últimas semanas tenho ouvido relatos desanimadores de empresários sobre a deterioração do fluxo de caixa de suas empresas, com inadimplência elevada, vendas baixas, custos em alta, enfim, relatos negativos sobre a situação financeira de seus empreendimentos. Até mesmo áreas que, em crises recentes, “carregaram o país nas costas”, como as ligadas ao agronegócio, estão enfrentando um momento bastante desafiador.
Isso começa a se refletir nos balanços das instituições financeiras, pois os quatro maiores bancos privados do país registraram um total de R$ 44,8 bilhões provisionados para os devedores com grande risco de inadimplência, uma alta de 33% em relação ao mesmo período do ano passado.
O mais preocupante é que todas as pessoas com as quais converso relatam que a situação ainda tende a piorar, independentemente do resultado da eleição de outubro, pois acreditam que o próximo Presidente terá uma bomba fiscal e econômica em seu colo. A diferença é como o próximo chefe do Executivo lidará com ela, empurrando a sujeira para debaixo do tapete, como Lula dá indícios de que fará, ou buscando solucionar o problema, ainda que com um remédio amargo, como os demais candidatos indicam que farão.
Não se nega que os indicadores econômicos ainda estão razoáveis, pois, ainda que as contas públicas estejam em franca deterioração, o desemprego está baixo, e a inflação e o câmbio estão relativamente controlados. Entretanto, é sabido que os indicadores econômicos tendem a demorar alguns meses para refletir a “economia real”, de modo que essa percepção dos empresários ainda deve levar algum tempo para aparecer nos índices oficiais.
Se a história nos ensina algo, é que a economia real sempre se impõe, e resta saber se o novo Presidente terá a coragem de encarar esse choque antes que o otimismo se torne inviável.