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Uso de estimulantes e desempenho na medicina

O Diário - 25 de agosto de 2026

Uso de estimulantes e desempenho na medicina

Júlia Moreira Bodo, estudante do 6º Período do curso de Medicina da FACISB, orientada pela profª Bárbara Sgavioli Massucato

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O consumo de substâncias estimulantes por estudantes de medicina tem crescido sob a influência de uma busca por “superprodutividade”, frequentemente idealizada e difundida pelas redes sociais. Esse fenômeno abrange desde o uso comum de cafeína e energéticos até o uso sem indicação de medicamentos para tratamento de algumas condições de saúde mental, como TDAH. Muitas vezes, essas substâncias são utilizadas sem indicação médica e sem a devida consideração de reações indesejadas em face dos benefícios esperados, como o aumento do foco e da memória.

Entretanto, não há estudos suficientes que sustentem a melhora cognitiva desse uso em indivíduos saudáveis. Um estudo publicado na revista Clinical and Experimental Health Sciences, realizado com 585 estudantes de medicina, demonstrou que, embora 7,3% utilizassem estimulantes para melhorar o rendimento, não houve diferença significativa na média das notas ou no sucesso acadêmico percebido entre usuários e não usuários.

A exposição constante às redes sociais intensificou a pressão pré-existente no curso de medicina. A comercialização de “rotinas perfeitas”, em que há tempo para estudar quatro horas seguidas, treinar, meditar, se dedicar a projetos de pesquisa e fazer isso 100% do tempo, aumenta a comparação interpessoal e pode reforçar a sensação de insuficiência entre os estudantes. Esse cenário contribui diretamente para o desgaste acadêmico, principal fator desencadeante do uso de estimulantes, visto que o curso de medicina é descrito como um ambiente de produtividade implacável, marcado por volumes densos de conteúdo e avaliações constantes. Dessa forma, o estudante frequentemente se vê sem tempo ou recursos emocionais para desenvolver estratégias saudáveis de manejo do estresse.

Nesse sentido, a busca por essa produtividade inalcançável frequentemente mascara quadros graves de burnout e transtornos de ansiedade, os quais acabam negligenciados em busca de desempenho. Portanto, é fundamental que o ambiente acadêmico promova uma cultura em que a saúde mental seja compreendida como base para formação de um bom profissional, combatendo a perigosa ilusão de que o sucesso justifica o adoecimento.