Seguir Jesus é abraçar a cruz, não buscar a glória
Diocese de Barretos - 30 de agosto de 2026
Seguir Jesus é abraçar a cruz, não buscar a glória
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Por Dom Milton Kenan Júnior, Bispo de Barretos
A partir da confissão de Pedro, Jesus dedica-se inteiramente a formar e preparar os discípulos para os acontecimentos que os esperam e, ao mesmo tempo, para que eles continuem a sua missão. Entre as revelações que Jesus lhes faz, ele lhes diz que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia”. As palavras de Jesus espantam os discípulos, pois o Messias que esperavam haveria de manifestar gloriosamente o seu Reino diante de todas as nações, haveria de pôr um fim à dominação estrangeira que tantas vezes Israel havia sido submetido; como na época a dominação romana, haveria de tornar Israel tão grande quanto foi no tempo do reinado de Davi. Jesus, no entanto, fala da sua condenação e morte, finalmente da sua ressurreição. Nós entendemos, assim, a reação de Pedro que repreende e censura Jesus: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!” – Para Pedro e os demais não era aquela sorte que eles acreditavam ser a sorte do Messias. Era, como dizia, bem contrária a tudo aquilo. Jesus, por sua vez, reponde a Pedro: “Vai para longe, satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens! ”. Esta foi uma das censuras mais fortes feita por Jesus a um dos seus discípulos; aqui no caso, aquele que ele havia dito que haveria de ligar e desligar as coisas do céu. E a razão dada por Jesus era clara: “Não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens”; ou seja, não pensas como Deus pensa, mas como o mundo pensa; por isso não hesita de chama-lo “satanás”, o príncipe do mundo, aquele que reina sobre o mundo e se revolta contra Deus. E Jesus continuando diz aos discípulos que esta não será somente a sua sorte, mas será também a sorte deles: “Se alguém quer me seguir, renuncia a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perde-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la”. O ponto de partida sobre o qual Jesus vai alicerçar todo o ensinamento que dará aos apóstolos é justamente o fato de que ele não é o messias como aguardavam os judeus; mas o seu messianismo se manifestará não através da glória humana, mas da entrega da sua vida. E, ao mesmo tempo, Jesus lhes diz que a condição para se tornar seu discípulo é abraçar a cruz, cada dia, dispostos a entregar a vida como Ele a entregou. O seguimento de Cristo não garante nenhuma vantagem, não concede nenhum privilégio, nem está condicionado à glória e aos poderes humanos; mas, ao contrário, é sempre vivido no serviço humilde e despretensioso, na entrega da vida com generosidade e alegria, na fidelidade de cada dia à proposta de amar e servir assim como fez Jesus. Só assim teremos acesso à glória do Pai, que haverá de retribuir a cada um de acordo com a sua conduta.