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Remédio ancestral 

O Diário - 27 de agosto de 2026

Remédio ancestral 

Cláudia Martins de Lima. Cirurgiã-dentista, Especialista em Ortodontia, Mestranda em Odontopediatria e Ortodontia, Membro do Conselho da FEB

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Acordei gripada. Fiz um café pra aquecer o frio de dentro da alma. No café coloquei uma colher de manteiga. Minha mãe dizia que era bom pra tosse. A manteiga vai derretendo enquanto mexo. O gosto é de café que vai curar a gripe. Receita ancestral. Remédio milagroso. 

Quer ver outra? Água com açúcar. Minha mãe colocava uma colher generosa de açúcar refinado e mexia no copo com água. Até o barulho bom da colher batendo no vidro ajuda a melhorar. Chá de camomila antes de dormir. Vick na garganta pra dor de garganta. Gemada pra menino ficar forte. Beijo de mãe no machucado. Massagem na cabeça pra dor de cabeça. Limão pra enjôo.

Hoje sei que algumas dessas receitas talvez jamais encontrassem sentido científico, entretanto, havia nelas uma ciência que não cabia nos livros.

As mães conheciam essa farmacologia doméstica feita de colheres, copos, ingredientes simples e medidas imprecisas. 

Adoecemos adultos e descobrimos que ainda sabemos o caminho de volta aos cuidados da nossa mãe.

Mexo o café, a manteiga derrete lenta. É como se a infância não tivesse acabado. Ela apenas mudou de mãos.