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Quando a ansiedade faz parte da condição humana

O Diário - 5 de setembro de 2026

Quando a ansiedade faz parte da condição humana

Antonio Flávio Medeiros de Souza Estudante do 6. Período do curso de Psicologia do Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos - UNIFEB, orientado pela professora Ligia Aparecida Kamimura

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Passamos os dias tentando silenciar o que nos incomoda. Diante do menor sinal de aperto no peito, corremos atrás de um rótulo, de um remédio ou de uma distração nas telas, mas e se parte daquilo que sentimos também estiver relacionada à própria condição de estarmos vivos e sermos livres?

O filósofo Gilberto Cotrim, em Fundamentos da Filosofia, resgata a distinção entre medo e angústia presente no pensamento de Søren Kierkegaard e Martin Heidegger. O medo tem um objeto claro: um assalto, a perda do emprego. A angústia, por outro lado, não possui alvo definido. Ela surge diante do “nada”, quando percebemos que o futuro não está determinado e que somos responsáveis por nossas próprias decisões.

Jean-Paul Sartre radicaliza essa ideia: “o homem está condenado a ser livre”. Condenado porque não escolheu existir, mas, uma vez lançado ao mundo, é responsável por tudo o que faz. A angústia, portanto, não é uma falha, mas sim a própria consciência dessa liberdade e do peso que ela carrega. Isso não significa negar o valor do diagnóstico clínico, que orienta intervenções necessárias diante de quadros que efetivamente paralisam, mas, sim, reconhecer que, conforme a perspectiva heideggeriana, a angústia também pode ser uma abertura: um sinal de que o mundo ainda nos afeta e de que nossas escolhas importam. Reconhecer essa dimensão não significa romantizar o sofrimento, nem tampouco dispensar o cuidado clínico quando ele é necessário. É, sobretudo, abrir espaço para a reflexão: o que essa inquietação está tentando mostrar sobre as nossas escolhas?