Monteiro Filho, a despedida
O Diário - 15 de setembro de 2026
KARLA ARMANI MEDEIROS Historiadora e membro da cadeira 7 da ABC | @profkarlaarmani
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Barretos despediu-se de João Monteiro de Barros Filho.
Uma vida de 87 anos é "per se" uma dádiva. Somando a ela uma trajetória reconhecida pela comunidade como um legado de fé, evangelização e profissionalismo, tem-se um bonito final feliz.
Distam 40 anos, entre si, os grandes marcos profissionais do jornalista Monteiro Filho: em 1955, ele iniciou sua carreira na antiga Rádio PRJ-8, em Barretos, e, em 1995, fundou a Redevida de Televisão. Neste intervalo, ousou fundar na cidade um jornal diário, em 1969, momento em que isso era uma grande novidade – e que, nos dias de hoje, diante da era digital, se reinventa e consegue manter-se como uma novidade. Ainda nessa segunda metade do século XX, Monteiro Filho se dedicou a entidades, como a Academia Barretense de Cultura; a conquistas importantes para Barretos, como a criação da 13ª Região Administrativa; e colaborou ativamente na evangelização da Igreja Católica. Exemplo disso não é apenas o fato de ter criado um canal nacional de televisão de orientação cristã, mas também de ações singulares - e históricas - como a sua efetiva participação na criação da Cidade de Maria, em Barretos. Apenas dois exemplos de tantos outros aos quais ele contribuiu para a comunidade católica.
O reconhecimento disso veio em sua despedida. Afinal, ela aconteceu dentro da Catedral do Divino Espírito Santo, com uma missa de corpo presente ministrada pelo bispo diocesano de Barretos, dom Milton Kenan Júnior. Além deste, a presença dos arcebispos de São José do Rio Preto e de Uberaba, do bispo de São Carlos, e de todos os demais sacerdotes, tornaram o momento digno de um retrato histórico. Não apenas pelo prestígio do barretense e o reconhecimento de seus feitos à Igreja, mas pela emoção ritualística oferecida a um leigo, dentro de um templo católico, que por toda sua vida devotou-se àquela fé. Tudo fez muito sentido.
“Se o Gente Que É Notícia não se compra, não se vende, se conquista”, a despedida da vida também assim se moldura. É um reflexo das conquistas em vida. Depois da vida, é a vez da História.