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Quando a vida perde a cor

O Diário - 25 de setembro de 2026

Quando a vida perde a cor

Mari Armani Psicóloga clínica, especialista em psicanálise. @mariarmani.psi

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Há momentos em que a vida parece acontecer do lado de fora, enquanto, por dentro, tudo perde a cor. O cansaço persiste, o prazer diminui, tarefas simples exigem esforço e surge a pergunta: “Por que estou assim, se aparentemente não me falta nada?”

Para a psicanálise, a depressão não se resume à falta de força de vontade. Embora fatores biológicos devam ser considerados, o sofrimento também pode estar relacionado à história singular de cada sujeito. Em Luto e Melancolia, Freud descreve uma forma de sofrimento ligada a perdas que nem sempre são evidentes: pode-se perder uma pessoa, mas também um projeto, uma expectativa, um ideal ou uma versão de si mesmo.

Quando essa perda não encontra espaço para ser elaborada, pode voltar-se contra o próprio sujeito, manifestando-se como culpa, autocrítica, desvalorização e sensação de insuficiência.

Reconhecer mudanças persistentes no sono, apetite, interesse, concentração e vínculos é um gesto de cuidado. Quando o sofrimento permanece ou compromete a vida cotidiana, buscar psicoterapia é importante. Na clínica psicanalítica, a palavra cria um espaço para compreender a própria história e os sentidos do sofrimento.

Às vezes, a mudança começa não com um sorriso, mas com a possibilidade de encontrar um lugar onde a dor possa, finalmente, ser escutada.