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Preço e valor

O Diário - 27 de setembro de 2026

Preço e valor

Rogério Ferreira da Silva é cirurgião-dentista

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Tem coisas que ficam dentro da gente. Quietinhas. Esperando a gente crescer o suficiente para entender o que tinha. E se eu encontrasse hoje o meu eu criança no meio do caminho, o que eu diria a ele? Provavelmente abriria os braços cheio de histórias e alegrias. Ia contar as conquistas, as viagens, as coisas que pareciam impossíveis e aconteceram. Ia chegar empolgado, com tudo que construí para mostrar a ele. E ele provavelmente ia me olhar e dizer: que bom! Seria como se eu sentasse a mesa para tomar um café com meu pai. Quando isso acontecia eu parava até de respirar. Porque era isso, era exatamente isso. O melhor que eu tinha na vida cabia numa xícara de café, numa mesa, numa manhã que eu nem lembro direito porque não dei o valor que merecia ter dado. E hoje daria tudo para voltar aquela manhã e estar inteiro nela, sem celular, sem pressa, sem mais nada no mundo além daquele café e daquela presença. O que a gente enxerga depende muito do lugar de onde a gente está olhando. A chuva é um transtorno para muita gente que vive nas grandes cidades, é verdade. Mas a mesma chuva é benção para quem depende dela para plantar, para colher, e também para quem vende capa e guarda-chuva. A gente passa a vida inteira construindo, sonhando com coisas que dependes de outras coisas para acontecer. O emprego certo, a conta no lugar, a casa, a viagem, o momento perfeito. E vai adiando o que já está aqui. Vai deixando para depois as conversas, os abraços. Vai tratando o ordinário como se fosse obstáculo, quando na verdade o ordinário é quase sempre o melhor que a vida tem a nos oferecer. E um dia a gente vai sentir falta, do cheiro do tempero da comida da nossa mãe. Das conversas com nosso pai. Simplicidade é reconhecer que há coisas muito importantes na vida que podem até ter um certo valor, mas nunca têm preço. Um excelente domingo para você.