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O vale-tudo eleitoral

O Diário - 1 de outubro de 2026

O vale-tudo eleitoral

DANILO PIMENTA SERRANO É ADVOGADO E PROFESSOR UNIVERSITÁRIO

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A eleição presidencial que se avizinha, no próximo domingo, tem tudo para ser a mais disputada da história, superando até mesmo o pleito de 2022, no qual Lula venceu Bolsonaro por uma margem de apenas 2,13 milhões de votos. O grau de polarização está tão elevado que há uma chance, ainda que pequena, de a eleição ser definida no primeiro turno — a favor de um ou de outro candidato.

Após um período de dianteira do atual ocupante do Palácio do Planalto, as pesquisas mais recentes apontam para um quadro de empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula. Diante disso, o atual mandatário, em busca de seu quarto mandato presidencial, passou a adotar medidas com forte apelo eleitoral, para tentar angariar votos que podem se mostrar decisivos.

Entre as principais medidas estão um aumento de 15% no Bolsa Família, a edição de uma medida provisória proibindo as bets, que, diga-se de passagem, foram regulamentadas pelo seu governo, o lançamento do Desenrola 3.0 e a promessa de distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, tais medidas populistas custarão R$ 328,9 bilhões aos decrépitos cofres públicos. 

Salta aos olhos que parte dessas ações, de caráter nitidamente eleitoreiro, foram chanceladas pelo Judiciário, que tem adotado uma postura diametralmente oposta àquela mostrada em 2022, quando Jair Bolsonaro era o incumbente. Vide a absurda decisão de Flávio Dino no caso da notícia falsa envolvendo Nossa Senhora Aparecida, posteriormente suspensa por Luiz Fux.

É certo que a legislação eleitoral existe para assegurar a paridade de armas entre os candidatos, e não pode ser aplicada com rigor contra uns e complacência a favor de outros. Quando o árbitro escolhe um lado, a eleição deixa de ser justa, e a democracia tem um de seus pilares abalado. 

A fatura bilionária desse vale-tudo eleitoral, como sempre, será paga pelo contribuinte e herdada pelo próximo governo, seja ele qual for.