Barretos vota nos seus?
O Diário - 7 de outubro de 2026
Elaine Madalhano é jornalista e estrategista política
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Toda eleição para deputado costuma levantar a mesma pergunta: como alguém com tanto voto fica de fora, enquanto outro, com bem menos, chega lá? De Rio Preto, Eleuses Paiva (PSD) fez 88 mil votos e não se elegeu. Edinho Araújo (PRD), com 54 mil, volta a Brasília.
A explicação está numa conta que pouca gente faz na hora de votar. No sistema proporcional, os votos dados aos candidatos e às legendas ajudam a definir quantas cadeiras cada partido ou federação conquista. Só depois as vagas são preenchidas pelos candidatos mais votados dentro de cada grupo. Traduzindo: a régua muda de uma legenda para outra. No PSD, Eleuses ficou de fora com 88 mil votos. No PRD, Edinho foi eleito com 54 mil.
Ribeirão Preto viveu os dois lados dessa conta. Duarte Nogueira (PSD), ex-prefeito por dois mandatos, com trajetória que lembra a de Edinho em Rio Preto, fez 42,7 mil votos e ficou de fora. Já Isaac Antunes (PL) chegou à Assembleia com menos de 62 mil votos, numa legenda impulsionada pela votação extraordinária de Eduarda Campopiano (PL), que sozinha passou de 1,9 milhão.
Ainda assim, Ribeirão sai fortalecida. Fez cinco deputados: um federal e quatro estaduais. Reelegeu Baleia Rossi (MDB), com 239 mil votos, apenas cerca de 21 mil deles na cidade, mostrando um alcance construído muito além de sua base local. E elegeu para a Assembleia Duda Hidalgo (PT), Léo Oliveira (MDB), Rafael Silva Jr. (PSD) e Isaac Antunes (PL). Com nomes competitivos em quatro partidos diferentes, a cidade entrou na conta de várias legendas.
Já Rio Preto alcançou uma representação expressiva e histórica: sete deputados eleitos, sendo três federais e quatro estaduais. Na Câmara, Luiz Carlos Motta (PL), Paulo Bilynskyj (PL) e Edinho Araújo (PRD). Na Assembleia, João Paulo Rillo (PT), Itamar Borges (MDB), Valdomiro Lopes (PSB) e Danilo Campetti (Republicanos). É uma bancada plural, distribuída por seis partidos, que amplia a capacidade de articulação política da região. E mostra também uma concentração importante de votos em candidaturas identificadas com Rio Preto e o Noroeste Paulista, mesmo com votações expressivas na cidade para nomes como Lucas Pavanato (PL) e Eduarda Campopiano (PL).
E Barretos? A cidade tem cerca de 60 mil votos válidos para deputado. Tamanho para eleger alguém ela tem. Faltou reunir esse voto. O mais votado para federal, Dr. Raphael Oliveira (PDT), ficou com pouco mais de 21% dos votos válidos da cidade. Para a Assembleia, a ex-prefeita Paula Lemos (PSD) liderou com cerca de 11%. Nenhum dos dois se elegeu, e boa parte do voto barretense acabou ajudando candidaturas de outras regiões. A ponte direta com a Alesp segue sendo Sebastião Santos (Republicanos), radicado na cidade e reeleito com pouco mais de 68 mil votos.
O que esperar do resultado das urnas? Nos próximos quatro anos, Barretos vai depender de uma articulação fina com deputados da própria região e de polos como Ribeirão Preto e Rio Preto. E a próxima eleição começa agora: eleger alguém vai exigir um nome capaz de unir a cidade e municípios vizinhos, dentro de uma legenda em que essa votação tenha peso suficiente para conquistar uma cadeira.
Barretos mostrou que ainda não aprendeu a concentrar seus votos nos seus.