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Vamos ficar mais 20 anos sem deputado?

O Diário - 8 de outubro de 2026

Vamos ficar mais 20 anos sem deputado?

Rodrigo Vaz é gestor público e cientista político, mestre em Gestão e Políticas Públicas e Suplente de Deputado Estadual em São Paulo pelo Podemos

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Findado o processo eleitoral, São Paulo elegeu seus 94 representantes para a Assembleia Estadual e 72 representantes para o Congresso Nacional (70 Deputados Federais e 2 Senadores).

Entre aqueles que pleitearam um assento na Assembleia Legislativa do nosso estado, fui um dos 1.431 candidatos, e terminei o processo como o mais votado de Jaborandi, 4º mais votado de Colina e 6º mais votado de Barretos. Por isso, tenho só a agradecer.

No entanto, a análise dos votos e dos eleitos não pinta um bom quadro para a nossa região.

Mais uma vez, a região administrativa de Barretos não elegeu nenhum candidato cuja atuação seja tipicamente regional, municipalista, e em defesa do desenvolvimento dos pequenos municípios.

E isso não é por acaso, uma vez que nossa região é a menos populosa de todo estado.

Ao analisar os resultados eleitorais das nossas 19 cidades, vemos que, somando os votos do 1º colocado de cada uma das cidades, foram 45.188 votos. E nenhum partido elegeu alguém com tão poucos votos.

Isso mostra que, se não houver coordenação política regional para que lideranças locais alcem voos mais longos, para furar a bolha regional, nossa realidade não mudará.

Uebe Rezeck, o último deputado que representou nossa região por 3 mandatos, foi antes Secretário do Interior do Estado do Governador Fleury e esteve no Ministério da Indústria e Comércio de Sarney. Não foi apenas sua gestão bem avaliada como prefeito de Barretos, nem a coordenação regional do MDB (à época PMDB) que o fizeram eleito, mas a soma disso tudo: nome reconhecido, capacidade comprovada de entrega e trabalho que extrapola as fronteiras de Barretos e Bebedouro, nossas cidades-polo.

Apenas na nossa região, o PSD, partido de Kassab, lançou a ex-prefeita de Barretos Paula Lemos, o ex-deputado estadual e ex-prefeito de Olímpia Fernando Cunha e o candidato a prefeito de Bebedouro em 2024, Fernando Piffer. Juntos, eles tiveram 33.460 votos. Somemos a esses do PSD os votos depositados em mim e no Mussa, chegamos a 44.583.

Por mais que o cidadão leigo critique o excesso de candidaturas na região, ou em uma cidade, para mim é ainda mais grave a atuação partidária desses casos. É explícito que o interesse do PSD ou do Kassab não é fortalecer a nossa região. Se existisse o voto distrital, o partido seria proibido de lançar mais de um projeto em uma mesma região.

Aí vem a lógica do “voto útil”. Quantos votos não foram perdidos nessas candidaturas porque “ninguém tinha chance”? Foi o argumento usado abertamente por prefeitos, vereadores e eleitores, e todos tinham razão. Assim como os votos de Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado derreteram para privilegiar candidaturas mais viáveis, o mesmo aconteceu nas eleições para o Legislativo, que depositou quase 2 milhões de votos em uma única candidatura: Eduarda Campopiano, que ficou entre 2ª e 3ª colocada em 15 das 19 cidades da nossa região, com 18.176 votos na região (mais que qualquer candidatura local).

O que os números mostram é que, apenas se houver coesão e organização regional, se as lideranças locais não permitirem os partidos de fazer nossas cidades de trampolim para eleger nomes de fora, se a classe política se unir ao empresariado, grupos de mídia, produtores rurais, associações e entidades de classe, que poderemos ter viabilidade.

Agora o que nos resta é pensar em 2030, e lutar para construirmos esse futuro. Unir essas lideranças, conversar e convencer políticos que há algo além dos seus projetos e grupos locais e das eleições de 2028. Fazer o trabalho de advocacy em São Paulo, dentro do Governo do Estado e junto às lideranças partidárias. Quero estar à frente disso, não para que o meu nome seja o nome escolhido, mas para que nossa região escolha e forme suas lideranças, para que não fiquemos mais 20 anos sem um deputado para chamar de seu.