Nome
O Diário - 8 de outubro de 2026
Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Identidade, pertencimento e poder
Há palavras que recebemos antes mesmo de aprender a falar: o próprio nome é uma delas. Ao sermos chamados por ele, não apenas reconhecemos a nós mesmos, mas também percebemos que pertencemos a uma família e a uma história. O nome, assim, participa da construção da identidade e do pertencimento, ao mesmo tempo que pode adquirir força nas relações sociais.
O nome constitui uma dimensão fundamental da identidade, pois, além de designar alguém, inscreve-o em determinada história familiar, social e cultural. “Luciano Borges”, “Andreza Dametto” e “Stella Dametto Borges”, por exemplo, carregam referências distintas, associadas à origem, à família e às experiências de cada indivíduo. Nomear alguém, nesse sentido, não é apenas identificar uma pessoa, mas também situá-la em uma rede de significados que contribui para a formação de sua identidade.
Além de identificar, o nome pode funcionar como instrumento de poder e de reconhecimento social. Um sobrenome tradicional pode abrir portas, enquanto um título como “doutor” ou “professor” modifica a maneira como alguém é percebido e tratado. Assim, quando a sociedade atribui prestígio e autoridade a uma forma de nomeação, a palavra deixa de apenas indicar uma pessoa e passa a influenciar o lugar que ela ocupa aos olhos dos outros. Esse fato toca a todos, seja você um Lannister ou não.
Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie