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Skol: patrimônio do esporte barretense

O Diário - 11 de outubro de 2026

Skol: patrimônio do esporte barretense

TÊNIS: Luiz Claudio Brandão Brunetti, o Skol

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Acadêmica Rosa Carneiro relata trajetória de professor de tênis 

A trajetória de Luiz Claudio Brandão Brunetti, o Skol, é o tema da entrevista elaborada pela acadêmica Rosa Carneiro, especialmente para O Diário, cuja íntegra é a seguinte: 

Há pessoas que fazem parte da história de uma cidade sem precisar ocupar cargos importantes, aparecer frequentemente nos jornais ou receber grandes homenagens. Constroem sua importância no cotidiano, no convívio e, principalmente na vida das pessoas que passam pelo seu caminho. Em Barretos, Luiz Claudio Brandão Brunetti, o conhecido Skol, é uma delas. Para quem não o conhece, afirmo que ele é isso e muito mais, por isso resolvi entrevistá-lo. 

ROSA: Qual seu nome completo e onde você nasceu?
SKOL: Luiz Claudio Brandão Brunetti. Eu nasci em Barretos, tenho 64 anos. Sou filho do Adunis Amilcar Brunetti e Regina Maria Brandão Brunetti, ambos falecidos.

ROSA: Você tem irmãos?

SKOL: Eu tenho mais três irmãos. Luiz Fernando, o mais velho; Márcio, o segundo, e o terceiro é o Luiz Ricardo.

ROSA: Quantos filhos você tem?

SKOL: Eu tenho uma filha e um neto.

ROSA: Qual o nome de sua esposa, de sua filha e do seu neto?

SKOL: Minha esposa é Rita de Cássia Alves Brandão Brunetti e a minha filha se chama Isabella Alves Brunetti e o meu neto Matheus Brunetti Ferreira. O garoto é ligado a “220”. Quer que eu venda o meu carro para comprar uma caminhonete que ele vai tirar a carta de motorista. Ele tem dezessete anos. Já vai pra faculdade, se Deus quiser. 

ROSA: Seu neto joga tênis?

SKOL: Joga, mas ele teve uns contratempos com o falecimento do pai. O pai dele morreu com 28 anos, uns quatro anos atrás.  Minha filha formou, é bióloga. Ela fez mestrado, já está formando em doutorado. Dá aula no Colégio Plus e na FEB. 

ROSA: Como chamamos a sua profissão? O que é a sua profissão?

SKOL: A minha profissão é uma coisa muito grata que Deus me deu, porque a gente só vive com pessoas boas: crianças e adultos. Os professores de tênis trabalham como se estivessem se divertindo. É muito prazeroso.

ROSA: Você não tem empresa?

SKOL: Na verdade, não. No tênis, não. Eu tenho uma MEI, onde eu vendo frango e ovo caipira. Frango limpo, cortado.

ROSA: Há quanto tempo você é professor de tênis?

SKOL: Eu não me lembro quando comecei, era muito jovem. Dediquei toda a minha vida profissional ao tênis. Me formei em Educação Física pela UNAERP. Viajava todos os dias para Ribeirão Preto de ônibus. A rodovia era pista simples na época, a estrada era muito ruim. Ainda cursando a faculdade eu me tornei rebatedor para ajudar no pagamento da faculdade, muito antes de me formar.

ROSA: O que é rebatedor, Skol?

SKOL: Eu soltava a bola para o tenista rebater. Auxiliava o professor José Pedro Carvalho. Bem, eu não sei falar há quanto tempo, mas estou em Barretos desde 1989 quando me casei. Faz 37 anos que trabalho no Grêmio Recreativo. Trabalhei como rebatedor, quando formei tornei-me professor.

ROSA: Então, do tempo que você começou até hoje, quantos anos fazem?

SKOL: Eu estive fora de Barretos, depois da faculdade, uns tempos. Entre idas e vindas profissionais por Votuporanga, depois morei em Belo Horizonte, fiquei também vários anos em Bebedouro, aí retornei para Barretos. No total são mais ou menos 50 anos como tenista.

ROSA: Quem o incentivou a iniciar nessa profissão?

SKOL: Olha, é uma história muito emocionante. O finado Baiano ia me dando dicas sobre o tênis. Ele ia ser meu padrinho de casamento, só que faleceu antes. Ele trabalhou no Grêmio de Barretos mais de cinquenta anos. Saiu e foi trabalhar em Bebedouro, foi morar comigo, que na época trabalhava do clube de Bebedouro. Baiano voltou para Barretos porque adoeceu, e eu vim embora também.

ROSA: Antes de começar no tênis, você fazia alguma coisa? Você trabalhava? 

SKOL: Não, era novinho.

ROSA: Onde você estudou?

SKOL: Em Barretos, estudei no Colégio Antônio Olímpio, quando era o prédio antigo. Me lembro das escadarias, das figueiras. Terminei meus estudos no Vocacional, antes de ir para a faculdade em Ribeirão Preto.

ROSA: Quais as dificuldades você encontrou na vida profissional, os desafios e a superação? 

SKOL: As dificuldades e os desafios são mais ou menos a mesma coisa. No início, esteve longe de ser fácil.  Os professores do clube não tinham registro, recebiam pouco e passavam horas sob o sol para conseguir uma renda razoável, entendeu? Então até você conseguir superar essas dificuldades demorava muito. Era muito, muito triste não ser valorizado. Perdi seis anos aqui. Era um serviço meio sem valor, você tinha que  trabalhar muito, no sol quente e cedo até a noite para poder ganhar um pouquinho mais para sustentar a família.

ROSA: E como você superou tudo isso?

SKOL: Na garra, na vontade, determinação, na paixão pelo tênis. Passamos muito perrengue, mas deu tudo certo, está dando, no final conseguimos atravessar aqueles anos difíceis.

ROSA: Alguma vez você pensou em desistir?

SKOL: Tive algumas vezes que pensei em parar, abandonar as quadras  e seguir outro caminho profissional.  Não aconteceu. Um colega, convidou-me para entrar em um negócio com ele. Na época ele estava com um negócio de máquina de aluguel de cana. Como eu estava insatisfeito com o tênis, pensei em abandonar para ver se tomava um outro tipo de rumo na vida. Quando estávamos negociando, viajando à noite, ele sofreu um acidente e faleceu aqui em Olímpia. Aí, resolvi ficar do jeito que estava, nunca mais pensei em mudar. Hoje, olhando para trás, talvez tenha sido justamente essa permanência que me permitiu construir meu maior patrimônio: as pessoas.

ROSA: O que você acha que fez para conseguir ser um tenista profissional querido no esporte, destacar do jeito que você se destacou como professor de tênis?
SKOL: Olha, eu acho que minha honestidade, meu carinho dispensado às crianças, aos pais, aos funcionários e demais pessoas que encontro no clube. Já estou na segunda geração de tenistas. Já ensinei filhos e netos de tenistas. Eu acho que o carinho, o respeito para com os meninos e adultos tornando-os todos meus amigos, fez a diferença. Nunca criei uma inimizade dentro do clube, às vezes tinha perrengues, com boleiro, alunos, jogadores, mas nunca coisa séria. Tenho vários amigos que até hoje me cumprimentam na rua, que eram pegadores de bola. Na época tinha o senhor Neife, que era chefe da Guarda Mirim. São estes fatores que me fazem apaixonado pelo tênis e pelos tenistas.

ROSA: Seu negócio, como treinador profissional que você é, representa alguma coisa para a comunidade?

SKOL: Eu acredito que sim, porque as crianças aprendem, melhoram a disciplina e o relacionamento com outras pessoas. Por exemplo, fazer um profissional é uma chance muito remota. Muito remota você conseguir, nós tivemos vários jovens bons,  mas o que acontece, a concentração, a determinação, o respeito pelo outro, o saber pensar nas suas decisões tem que ser de profissional. Porque no tênis você tem que ter um raciocínio rápido porque a bola vem a 100 por hora, você tem que decidir se você vai bater baixa, alta, na esquerda ou na direita. E isso tudo, esses pensamentos, servem para sua vida no futuro, nos seus negócios.

ROSA: Você já foi reconhecido por ter esse desempenho tão bom para a comunidade, que é o tênis?

SKOL: Hoje, são cerca de 60 alunos, com horários disputados e até lista de espera. O reconhecimento veio de várias maneiras. Por exemplo, na época que eu estava em Bebedouro, onde trabalhei durante vários anos mesmo após três décadas, depois de minha saída, ainda sou recebido com enorme carinho, com o slogan: “A lenda chegou em Bebedouro”, eu sou muito bem recebido pelo que eu fiz. Em Barretos, também fui recentemente surpreendido com uma homenagem promovida pelo presidente do Grêmio durante um torneio.

ROSA: Você tem alguma história para contar de algum aluno ?

SKOL: Entre tantas histórias acumuladas, recordo com orgulho um torneio em que inscrevi o jovem Adriano Ferreira, tenista de Bebedouro, então com 12 anos. Por um erro, Adriano tornou-se Adriana e acabou relacionado na categoria feminina. O menino era filho de Sebastião Ferreira. Quando eu vim de Bebedouro, senhor Sebastião comprou o título do Grêmio para poder trazer Adriano para treinar aqui comigo. Adriano era muito bom, inclusive ele é profissional de tênis, hoje está em Ribeirão Preto. Depois de corrigida a confusão, colocaram Adriano para jogar justamente contra um dos favoritos, campeão brasileiro na categoria. “Pode pôr, eu confio”, eu disse ao organizador. Adriano venceu. O episódio terminou em discussão e anulação da partida. O grupo do campeão que perdeu o jogo, voltou para sua cidade, eu juntei minhas “traias” e voltamos para Barretos. Este episódio permaneceu entre as muitas lembranças de décadas acompanhando jovens dentro e fora das quadras.

ROSA: Admiro o reconhecimento que as pessoas têm por você, pela sua integridade, amizade, e de você para com as pessoas. Você tem algum plano para o futuro?

SKOL: Eu tenho uns boizinhos. É pouquinho. Eu estou próximo da aposentadoria. Mas não vou parar totalmente. Pretendo apenas diminuir o ritmo. Minha saúde está ótima, preciso aproveitar. Quero dividir os dias entre algumas aulas, principalmente às crianças e o sítio. Vou fazer uma divisão de dias e horários bem bolados, para conseguir realizar as duas atividades. Depois de tantos anos, reconheço que o corpo já pede uma rotina um pouco menos intensa, mas a vontade de ensinar continua. As crianças e adolescentes são mais fáceis para ensinar. Coloco um grupinho treinando depois os coloco para jogar. O adulto é individual, é muito mais cansativo.

ROSA: Que conselho você daria a quem está começando no tênis?

SKOL: Meu conselho para quem está começando no tênis é simples: “começar e não parar mais”. Poucos esportes reúnem de maneira tão completa preparo físico, concentração e determinação .

ROSA: Qual é o resumo de toda a sua trajetória em uma única frase?
SKOL: Pode ser numa palavra ou duas? Eu escolho: Gratidão e Felicidade. Uma vida inteira ensinando muito mais que tênis.