Do cigarro tradicional ao eletrônico: os danos à saúde
O Diário - 17 de outubro de 2026
Marina Ferreira Maia Gonçalves, estudante do 2° período do curso de medicina da FACISB, orientada pela professora Leticia Ferro Leal
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Nos últimos anos, o crescimento do consumo de cigarros eletrônicos entre a população tem despertado preocupação na área da saúde, especialmente devido à falsa percepção de segurança em relação ao cigarro tradicional. Diante esse fato, muitas pessoas, principalmente jovens, acreditam que os dispositivos eletrônicos, conhecidos popularmente como “vapes”, são alternativas menos prejudiciais, o que contribui para a sua fama na sociedade.
No entanto, estudos científicos da Organização Mundial da Saúde demonstram que essa percepção é equivocada, uma vez que os cigarros eletrônicos não realizam a combustão do tabaco como o cigarro convencional, com isso liberam metais pesados e compostos químicos capazes de causar danos às células do sistema respiratório, muitas vezes de forma mais rápida que o cigarro comum. Além disso, evidências apontam uma relação entre o uso desses dispositivos e o surgimento de doenças respiratórias, e quando há a associação entre o cigarro tradicional e o eletrônico o risco dessas doenças pode aumentar em até quatro vezes, sendo significativamente maior quando comparado ao de não usuários.
Por outro lado, o uso do cigarro eletrônico pode atuar como porta de entrada para o tabagismo tradicional. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) nos quais são mostrados que os indivíduos que utilizam os dispositivos eletrônicos possuem mais chances de iniciar o uso do cigarro tradicional, aumentando a exposição aos fatores de danos ao sistema respiratório. Assim, o tabagismo continua sendo o principal fator precursor da maior parte das patologias respiratórias.
Portanto, é importante desmistificar a ideia que o cigarro eletrônico é inofensivo. Tanto o cigarro tradicional quanto o eletrônico possuem riscos significativos à saúde e o desenvolvimento de doenças pulmonares não faz distinção entre suas formas de consumo. Reconhecer de maneira prévia os sinais do vício no tabagismo, conscientizar a população sobre os riscos do uso desses dispositivos são fatores importantes para o desenvolvimento de políticas de prevenção e tratamento para o problema na população.