HIATO
O Diário - 18 de outubro de 2026
Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Série Vícios de Linguagem
Na fala e na escrita, nem sempre a frase que parece correta aos olhos soa agradável aos ouvidos. A proximidade entre vogais pode produzir uma sequência sonora dissonante, fenômeno conhecido como hiato no campo dos vícios de linguagem. Embora não comprometa necessariamente o sentido, esse efeito merece atenção, pois a harmonia sonora contribui para a fluidez da expressão, e a revisão cuidadosa permite aprimorar o estilo sem alterar a mensagem.
A sucessão de sons vocálicos pode comprometer a harmonia da frase, tornando a expressão menos fluida e agradável ao ouvido. Em construções como “Traga a água a ela” e “O réu deu outro depoimento”, a proximidade das vogais cria um efeito sonoro capaz de causar estranhamento durante a leitura ou a pronúncia. O cuidado com essa dimensão da linguagem demonstra que comunicar bem não depende apenas da escolha das palavras, mas também da maneira como elas se articulam na cadeia sonora.
A revisão da estrutura sonora das frases, por sua vez, constitui um recurso importante para aperfeiçoar a expressividade e a qualidade estilística da comunicação. Em “Traga a água a ela”, por exemplo, a sucessão de vogais entre as palavras próximas provoca um tropeço na pronúncia, que quebra o ritmo e compromete a harmonia sonora. Uma reescrita como “Leve água para ela” mantém o sentido e elimina a colisão de vogais. Assim, escrever bem é pensar o sentido e a forma em conjunto, sem esquecer que as palavras também precisam soar bem.
Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie