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A arte de vencer

O Diário - 14 de abril de 2026

A arte de vencer

Claudia Lima

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Na guerra da vida as batalhas foram pesadas pra mim. Soldados perdem pernas, mãos, visão. Eu fui perdendo pessoas. Perdi pai, avós, primos, irmão. Perdi minha mãe. Dentro de mim, o vazio salta aos olhos. Família pequena, poucos integrantes, imigrantes de espanhóis, italianos e da Bahia. Mas num canto qualquer desse vazio enorme há um lugar poderoso que me move. E porque eu perdi meu pai, eu sempre estudei um bocado. Meu pai sempre dizia: “estudar é o mais importante na vida”. E porque meus avós partiram eu aprendi a amar pessoas mais velhas e respeitá-las e ouvi-las. Tenho uma infinidade de avós-amigos. Porque eu perdi meu irmão eu aprendi a ser generosa, aprendi a fazer negócios, aprendi a ser humana com quem vem até mim. Aprendi a gostar de frutas e legumes e aprendi a amar nossa família do jeito único que ela é. Porque eu perdi minha mãe eu aprendi o valor da vida, o quanto ela é fugaz. Estudei, me formei, trabalhei, construí meus alicerces e realizei coisas inimagináveis para uma menininha órfã de pai da década de 80. Minha mãe, que sequer tinha RG quando meu pai partiu, me ensinou a ir além. 

       E a vida, generosa que é, me presenteou com um pedacinho de gente que saiu de dentro de mim, a quem chamo filha.

      E com todos eles internalizados em mim, eu realizei todos os sonhos da minha vida. Venci a guerra.