A cerveja que não tomei: responsabilidade, legado e liderança
O Diário - 30 de abril de 2026
Edinho Silva - Bacharel em Administração de Empresas e Direito
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Há um jargão comum entre gestores e líderes: “estou pagando a cerveja que não tomei.” A frase traduz uma realidade frequente — assumir problemas que não foram gerados pela gestão atual, mas herdados ao longo do tempo.
Esse cenário está presente na iniciativa privada, no setor público e no terceiro setor. Na iniciativa privada, não parece razoável responsabilizar um executivo por decisões passadas que hoje geram prejuízos. Ainda assim, exige-se capacidade de reação. O mercado não tolera inércia. A sobrevivência das empresas depende de ação rápida e solução de problemas.
No terceiro setor, o desafio costuma ser ainda maior. Muitas entidades carregam passivos financeiros, fiscais e trabalhistas acumulados por anos, reflexo de fragilidades de governança. Os gestores atuais assumem não apenas a missão institucional, mas também o peso de reorganizar estruturas historicamente desajustadas.
No setor público, a lógica é distinta. Governantes assumem seus cargos cientes — ou deveriam estar — dos problemas estruturais. Esses temas, inclusive, são base de campanhas e influenciam diretamente o voto da população.
Diante disso, é necessário um equilíbrio: não é justo responsabilizar integralmente o gestor atual pelos erros do passado. Mas é absolutamente correto responsabilizá-lo pelo que faz — ou deixa de fazer — diante deles. A sociedade está saturada de justificativas. O discurso da herança recebida já não basta. O que se espera são ações concretas, planejamento e resultados. O “enxugar gelo” não é mais aceitável. Na iniciativa privada, a resposta é imediata. No setor público, o custo da demora recai sobre o cidadão. Ao final, é ele quem paga a conta — dos erros passados, das omissões presentes e das decisões adiadas. Liderar é enfrentar o passado com responsabilidade e agir no presente com coragem para proteger o futuro.




