A colheita da semente
O Diário - 10 de outubro de 2026
Aparecido Cipriano
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Dizem que a vitória é a régua que mede o sucesso de uma caminhada política. Discordo. A urna registra votos, mas não consegue contabilizar a maturidade que se adquire ao longo da estrada. Colocar o meu nome à disposição como candidato foi, antes de tudo, um ato de coragem e um exercício profundo de aprendizado. Não é só a vitória que traz crescimento; às vezes, é na poeira da batalha que a gente realmente se descobre.
Disputar uma eleição para o Congresso Nacional é encarar uma luta desproporcional. De um lado, acompanhamos quem já ocupa o poder e se vale das chamadas emendas impositivas — um mecanismo que muitas vezes amarra municípios inteiros a migalhas, trocando necessidades básicas da população por apoio político imediato. Do outro, enfrentamos campanhas milionárias, estruturas gigantescas e recursos que parecem inesgotáveis. Nós, por outro lado, caminhamos com a sola do sapato, com o olho no olho e com a força da nossa palavra. Mas é justamente no parco recurso que a verdade das pessoas se revela. Essa jornada funcionou como um filtro natural na minha vida. Houve decepções, é claro — pessoas em quem confiávamos e que preferiram o caminho mais conveniente. No entanto, o ganho foi infinitamente maior; tive o privilégio de conhecer apoiadores autênticos, gente de fibra que eu sequer sabia que existia e que tomou essa causa como sua. Pessoas que estenderam a mão sem pedir nada em troca, movidas apenas pela fé num projeto sincero.
Olho para trás e não vejo derrota. Vejo consciência tranquila, amizades verdadeiras seladas e a certeza de que cumprimos um papel honrado. Nenhuma emenda impositiva compra a dignidade de quem luta pelo que acredita com as mãos limpas. A todos vocês que caminharam ao meu lado, Essa luta foi nossa, e tudo o que aprendemos juntos permanece vivo. Muito obrigado por cada passo dado ao meu lado.