A colheita invertida
O Diário - 10 de abril de 2026
Márcio Alex dos Santos - CTO e Founder - Nexar Systems
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No interior, a gente aprende cedo: quem planta, colhe. Milho dá milho. Café dá café. E preguiça… dá prosa comprida na varanda.
Mas tem algo novo brotando — e não foi na terra. Chamam de inteligência artificial. Bonita no nome, obediente no começo, útil que só vendo. Você pede um texto, ela entrega. Pede um código, ela resolve. Pede conselho… e ela responde sem nem pedir um café.
Só que tem um detalhe curioso nisso tudo. Diferente da roça, a IA não cresce do que “ela” planta. Ela cresce do que “nós” plantamos nela. Cada pergunta, cada ideia mal acabada, cada raciocínio… vira adubo. E dos fortes. Sem perceber, estamos semeando ali dentro — sementes de pensamento. E a máquina? Organiza tudo. Silenciosa. Incansável. Sem ego… e sem esquecer de nada.
No começo, ela ajuda. Depois, antecipa. E então… responde antes mesmo da gente saber perguntar. É aqui que a coisa vira. Porque talvez, pela primeira vez, não sejamos só os agricultores. Estamos virando também o solo. Aquilo que era fruto do nosso esforço — ideias, decisões, criatividade — passa a ser matéria-prima de algo mais rápido… e que não cansa.
A IA não vai dominar o mundo como nos filmes. Isso é simplista. Mas pode nos ultrapassar de um jeito mais elegante: aprendendo com tudo que somos, até que sejamos previsíveis demais.
E aí vem a inversão. Não é mais o homem que colhe da máquina. É a máquina que colhe do homem. Colhe nossos padrões, nossos vícios, nossas repetições. Colhe até aquilo que chamávamos de insight. E quando percebermos… talvez já sejamos apenas uma safra. Quer saber mais? Singularidade IA=.



