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“A comunhão dos santos”

Diocese de Barretos - 28 de maio de 2026

“A comunhão dos santos”

“A comunhão dos santos”

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Por Pe. Ronaldo José Miguel, Reitor Seminário de Barretos

A doutrina da “Comunhão dos Santos”,  revela que a Igreja não é apenas uma realidade visível e histórica, mas uma comunhão espiritual profunda que une todos os fiéis em Cristo: os que peregrinam na terra, os que se purificam após a morte e os que já contemplam Deus na glória. O Catecismo afirma: “Depois de ter confessado ‘a santa Igreja católica’, o Símbolo dos Apóstolos acrescenta ‘a comunhão dos santos’” (§946). Esta expressão possui um duplo significado: comunhão nas coisas santas (sancta) e comunhão entre as pessoas santas (sancti). No primeiro sentido, trata-se da participação comum nos bens espirituais da Igreja: a fé, os sacramentos, os carismas e os dons espirituais. Como ensina o Catecismo: “Tudo o que cada um faz ou sofre em e por Cristo dá fruto para todos” (§953). Isso significa que a graça não é vivida de modo isolado, mas sempre em dimensão comunitária. No segundo sentido, a comunhão refere-se à união entre todos os membros de Cristo. Como escreve o Catecismo: “Visto que todos os fiéis formam um só corpo, o bem de uns é comunicado aos outros” (§947). Essa verdade está profundamente enraizada na teologia paulina, especialmente na doutrina do Corpo de Cristo desenvolvida por São Paulo Apóstolo. Tradicionalmente, a Igreja compreende a Comunhão dos Santos em três estados ou dimensões: A Igreja peregrina (militante): somos nós, que caminhamos na história, enfrentando os desafios da fé e buscando a santidade no cotidiano. A Igreja padecente (purgante): são as almas que se encontram em processo de purificação. O Catecismo recorda que “a nossa oração por eles pode não somente ajudá-los, mas também tornar eficaz a sua intercessão em nosso favor” (§958). A Igreja gloriosa (triunfante): são os santos que já vivem na presença de Deus. O Catecismo afirma: “A intercessão deles é o mais alto serviço que prestam ao plano de Deus” (§956). Essa tríplice dimensão manifesta que a Igreja é uma só, ultrapassando as barreiras do tempo e da morte. A unidade entre todos os membros da Igreja tem sua fonte em Cristo. É Ele quem une os fiéis entre si e com Deus. Como cabeça do Corpo, Cristo comunica sua vida a todos os membros, tornando possível essa comunhão espiritual. O Espírito Santo é o princípio dessa unidade: Ele distribui dons, suscita a caridade e mantém viva a ligação entre todos. Assim, a Comunhão dos Santos não é uma ideia abstrata, mas uma realidade vivificada pela ação divina. Ela revela que a Igreja é, antes de tudo, uma comunhão viva em Cristo, sustentada pelo Espírito e aberta à eternidade.