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A cura interior: quando Deus toca as feridas da alma

Diocese de Barretos - 23 de junho de 2026

A cura interior: quando Deus toca as feridas da alma

A cura interior: quando Deus toca as feridas da alma

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Por Pe. Matheus Francisco, Vigário Paroquial São João Batista, Olímpia-SP


Depois do silêncio e da oração, nosso último artigo na sexta-feira, chegamos a um passo inevitável da vida espiritual: a cura. Porque quem silencia diante de Deus e persevera na oração, cedo ou tarde se encontra consigo mesmo. E nem sempre esse encontro é fácil. Na oração verdadeira, Deus não apenas consola; Ele revela. Revela áreas feridas, memórias dolorosas, sentimentos escondidos e realidades que, muitas vezes, passamos anos tentando ignorar. Todos carregamos feridas. Algumas vêm da infância, outras nasceram de rejeições, abandonos, humilhações ou perdas, outras ainda surgem de palavras que marcaram profundamente a alma. Há feridas invisíveis que ninguém vê, mas que moldam nossa forma de viver, amar e acreditar. Muitas vezes, por trás de um coração fechado, existe uma ferida não tratada. Por trás de uma agressividade constante, pode existir dor. Por trás de um medo excessivo, pode existir abandono. Por trás da dificuldade em confiar, pode existir uma experiência profunda de decepção. Deus conhece tudo isso. E Ele não se escandaliza com nossas feridas, pelo contrário: Ele quer entrar nelas. No Evangelho, vemos Jesus constantemente se aproximando dos feridos: dos cegos; dos paralíticos; dos leprosos; dos possessos; dos rejeitados. Mas a cura que Jesus oferece vai além do corpo, Ele toca a alma. A cura interior é justamente isso: permitir que Deus entre nos lugares mais dolorosos da nossa história. Mas há uma condição fundamental: não esconder. Muitos querem ser curados, mas poucos querem abrir as feridas, e Deus respeita esse processo. Ele não invade. Ele espera. A cura começa quando temos coragem de colocar diante do Senhor aquilo que mais dói. Especialmente no perdão. O perdão é uma das portas mais profundas da cura interior. Enquanto alimentamos ressentimentos, a ferida permanece aberta. Perdoar não é negar a dor, é permitir que Deus retire dela o poder de continuar nos aprisionando. A cura interior não apaga o passado. Mas redime o passado. Ela não muda o que aconteceu. Mas muda o modo como isso permanece dentro de nós. E isso transforma tudo. Talvez hoje Deus queira tocar exatamente uma área que você evita revisitar. Talvez exista uma memória, uma ferida ou um nome que ainda provoca dor. Não tenha medo. O coração de Cristo é lugar seguro. Aquilo que entregamos a Deus deixa de ser prisão e se torna caminho de redenção. No próximo passo deste itinerário, veremos que a cura não é o fim, ela nos conduz a algo maior: a santidade. (continua na coluna de sexta-feira)