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A fé não é sentir, é confiar

Diocese de Barretos - 17 de fevereiro de 2026

A fé não é sentir, é confiar

A fé não é sentir, é confiar

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Por Pe. Matheus Francisco, Vigário São João Batista, Olímpia-SP.

A fé, muitas vezes, é confundida com emoção. Há quem pense que ter fé é sentir arrepios na oração, experimentar consolações espirituais ou viver constantemente tomado por uma paz sensível. Mas a verdade é mais profunda e, ao mesmo tempo, mais exigente: fé não é sentir, é confiar. Sentimentos são importantes, mas são passageiros. Assim como o céu alterna entre dias ensolarados e nublados, o coração humano também passa por variações. Há dias em que rezar parece fácil, quase natural; em outros, cada palavra custa esforço e o silêncio de Deus pode parecer ensurdecedor. No entanto, é justamente nesses momentos que a fé se torna mais verdadeira, porque deixa de depender do que sentimos e passa a repousar na certeza de que Deus está presente — mesmo quando não O percebemos. Confiar é um ato profundamente espiritual. É escolher permanecer, mesmo sem sinais imediatos. É continuar rezando quando tudo parece seco. É seguir caminhando quando não se enxerga claramente o caminho. A fé madura nasce quando aprendemos a não medir a presença de Deus pelas nossas emoções, mas pela Sua promessa de amor fiel. Quantas vezes, na vida, atravessamos noites interiores? Momentos em que as perguntas parecem maiores que as respostas, em que o coração se inquieta e a esperança parece vacilar. Nesses períodos, somos tentados a pensar que Deus se afastou. Mas a fé nos recorda que o silêncio de Deus nunca é ausência; muitas vezes, é um convite a um amor mais profundo, menos dependente de consolos e mais enraizado na confiança. São João da Cruz, grande mestre da vida espiritual, escreveu: “A fé é o único meio próximo e proporcionado para a união da alma com Deus.” Essa afirmação nos lembra que a fé vai além do que podemos compreender ou sentir. Ela nos conduz mesmo na escuridão, como uma pequena chama que não apaga, ainda que o vento sopre forte. Confiar em Deus não significa nunca ter dúvidas ou medos. Significa, antes, não permitir que eles tenham a última palavra. O coração que confia aprende a descansar nas mãos do Senhor, sabendo que Ele conduz todas as coisas, até aquelas que não entendemos. Como uma criança que segura a mão do pai ao atravessar uma estrada desconhecida, o cristão segue adiante sustentado pela certeza de que não caminha sozinho. Curiosamente, é nas provações que a fé se fortalece. Quando tudo vai bem, confiar parece fácil. Mas quando os apoios humanos falham, descobrimos que Deus era o chão que nos sustentava o tempo todo. A fé, então, deixa de ser apenas uma ideia bonita e se torna experiência viva. Se hoje o seu coração atravessa um tempo de aridez, não desanime. Continue rezando. Continue esperando. Continue confiando. Deus não se esconde para nos perder, mas, muitas vezes, para nos ensinar a amá-Lo de forma mais pura. No fim das contas, sentir pode até ajudar por um tempo, mas é a confiança que nos mantém de pé. Porque a fé verdadeira não depende do que passa dentro de nós — ela se apoia Naquele que nunca passa.