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A ilusão da alta performance 

O Diário - 26 de setembro de 2026

A ilusão da alta performance 

Raíssa Forato Brigagão, estudante do 2º Período do curso de Medicina da FACISB, orientada pela profª Bárbara Sgavioli Massucato

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Produtividade a qualquer custo se tornou um dos principais lemas do mercado de trabalho contemporâneo. A busca pelo máximo desempenho, marcada por metas cada vez mais exigentes e cobrança constante por alta performance, pode tornar a rotina do trabalhador exaustiva, levando muitos profissionais a ultrapassarem os limites do próprio corpo.

Na tentativa de sustentar esse ritmo, muitas pessoas acabam recorrendo a estratégias prejudiciais à saúde. Nesse contexto, destaca-se o uso da cocaína, substância psicoativa que, ao atuar sobre complexas áreas do cérebro, pode gerar uma ilusória sensação de energia, confiança e disposição. Entretanto, por trás dessa aparente vantagem, escondem-se graves consequências para a saúde física e mental. Seu consumo está associado a complicações cardiovasculares, especialmente arritmias, conforme revisão da American Heart Association (Dominic et al., 2022), além de ansiedade, irritabilidade, dependência química, prejuízos funcionais e potencial risco à vida.

A cocaína atua diretamente no sistema nervoso central, interferindo em circuitos relacionados à recompensa, motivação e prazer. Ao aumentar temporariamente a disponibilidade de dopamina entre os neurônios, produz uma sensação momentânea de euforia e energia. Contudo, a repetição do uso aumenta significativamente os riscos de tolerância e do desenvolvimento do transtorno por uso de substâncias, condição complexa que representa um importante desafio para a saúde pública.

Portanto, por parecer um caminho sedutor na busca por desempenho, a cocaína tem sido associada a um ilusório aumento da produtividade, especialmente em contextos de exaustão laboral. Para mudar essa realidade, é necessário reconhecer que jornadas extensas, pressão por desempenho e riscos psicossociais aumentam a vulnerabilidade ao uso de substâncias e que nenhum desempenho justifica uma vida consumida pela exaustão. Assim, promover saúde mental também envolve organizar o trabalho de forma menos extenuante, valorizar o descanso e buscar equilíbrio, para que o valor do ser não se perca na busca por resultados, mas seja preservado a cada passo rumo ao sucesso.