A indústria do turismo
O Diário - 3 de abril de 2026
DANILO PIMENTA SERRANO É ADVOGADO E PROFESSOR UNIVERSITÁRIO
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Possivelmente, o ato de viajar, de “turistar”, seja a atividade humana que mais se aproxima da unanimidade entre as pessoas, pois é muito difícil encontrar alguém que não goste de passear e descansar em outros lugares e países.
Após o grande baque causado pela pandemia global do coronavírus que reduziu o turismo à quase zero, essa importante indústria retomou seu patamar pré-pandemia, atingindo, de acordo com a ONU Turismo, o número de 1,4 bilhão de turistas em 2024, número 11% a mais que em 2023.
Esses dados revelam a importância do setor de viagens e turismo, que injetou 10,9 trilhões de dólares no PIB mundial em 2024. Essa cifra representa 10% da economia global e sustenta 357 milhões de postos de trabalho em diversos países.
Diante desses dados, é inegável o impacto benéfico da indústria de turismo do mundo. Todavia, há o outro lado da moeda, representado pelo que se convencionou chamar de “overtourism” — termo que pode ser traduzido como excesso de turistas.
O excesso no número de visitantes em determinados lugares do mundo, sem controle das autoridades, tende a contribuir para a degradação do local, como se observou recentemente em Machu Picchu, levando o governo peruano a limitar a quantidade de visitantes na cidade inca — medida que também tem sido aplicada em outros lugares do mundo.
Outro impacto que não pode ser desprezado é o fenômeno da chamada “gentrificação”, que acaba por “empurrar” os moradores locais para bairros mais distantes e periféricos das cidades turísticas em razão do aumento do custo de moradia, pressionado pelos aluguéis de temporada, como o Airbnb, que acaba por inviabilizar a residência dos moradores locais perto dos centros turísticos.
Assim, as autoridades devem estabelecer mecanismos de controle capazes de mitigar os efeitos do overtourism sem comprometer a vitalidade econômica do setor.



