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A máquina não sonha – mas acerta muito

O Diário - 29 de janeiro de 2026

A máquina não sonha – mas acerta muito

Márcio Alex dos Santos - CTO e Founder - Nexar Systems

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Inteligência Artificial não é aquele robô de filme que acorda de mau humor e decide dominar a humanidade. Se fosse assim, já teria começado desligando o Wi-Fi numa segunda-feira chuvosa. A verdade é bem menos dramática — e bem mais pé no chão.

IA é, basicamente, uma máquina muito boa em reparar padrões. Não pensa, não sente, não “tem opinião”. Ela observa. Como aquele amigo do bar que não fala muito, mas presta atenção em tudo e, na hora certa, solta: “isso aí já deu ruim antes, hein”.

Quando o celular sugere o caminho mais rápido, quando o banco bloqueia uma compra estranha ou quando o streaming insiste naquele filme que você jurou que não gosta — é IA trabalhando. Ela não sabe quem você é; só percebe que gente parecida com você costuma fazer escolhas parecidas. Estatística com cafeína.

Funciona assim: humanos mostram exemplos, a máquina testa, erra, ajusta, acerta mais. Isso se chama aprendizado de máquina. Quanto mais dados, melhor ela fica. Não porque ficou sábia, mas porque ficou mais rápida em apostar no provável. A IA não entende o mundo; ela chuta bem.

E calma: não existe essa tal de IA “igual gente”. O que temos são IAs especializadas. Uma escreve texto, outra reconhece rosto, outra calcula risco. Cada uma no seu balcão, sem misturar os copos.

A vantagem? Menos trabalho chato, menos erro repetitivo, decisões mais informadas. O perigo? Esquecer que ela aprende com o que a gente entrega. Se o dado é torto, o resultado sai torto também.

No fim das contas, IA é ferramenta. Não é santa nem capeta. É espelho com motor. E como todo espelho, às vezes devolve exatamente aquilo que a gente preferia não enxergar.

Márcio Alex dos Santos - CTO e Founder - Nexar Systems