A primeira vez
O Diário - 22 de setembro de 2026
KARLA ARMANI MEDEIROS Historiadora e membro da cadeira 7 da ABC | @profkarlaarmani
Compartilhar
A primeira vez que os barretenses viram um trole foi em 1887. Os passageiros eram a família do major José Machado de Barros, vindos de Limeira. O trole era uma espécie de “carruagem”, meio de transporte coletivo à tração animal. O susto foi tão grande que populares acreditavam que era o Imperador Pedro II e a família real.
A primeira vez que os barretenses puseram, de fato, os olhos em um juiz foi em 1892. Ele se chamava dr. José Belisário Peixoto de Mello. Foi o sucessor do primeiro juiz nomeado para Barretos, dr. Leopoldino Meira de Andrade, que, não aceitando ficar na cidade, declarou somente voltar a Barretos “quando for boi”. Nunca mais voltou.
A primeira vez que os barretenses viram um jornal circular pela cidade foi em 31 de março de 1900. Chamava-se O Sertanejo – nome mais que propício. Fundado pelo “prefeito poeta”, Silvestre de Lima, o jornal era um órgão do Partido Republicano Paulista e atuava como um meio de civilizar a comunidade. As matérias eram cartilhas.
A primeira vez que os barretenses tiveram uma campanha de vacinação foi em 1901. A Câmara Municipal encarregou o dr. Mathias Lex de vacinar a população contra a varíola. Embora ele explicasse os benefícios da vacina e o pavor de uma epidemia, poucos aderiram. Até que, em 1911, Barretos viveu de perto uma epidemia das bexigas.
A primeira vez que os barretenses viram um avião no céu de Barretos foi em 1915. O aeronauta Luís Bergman realizou uma apresentação ao público no campo de futebol, na esquina da rua 32 com a avenida 23. Todos, boquiabertos, foram saudados pelo aviador, que, lá de cima, escreveu o bilhete: “HurraH, do espaço, aos 25.07.1915”.
A primeira vez que os barretenses puderam assistir televisão em casa foi em 1960, quando a Câmara aprovou a lei nº 743, de 26/10/1960, que permitia a captação do som e da imagem da TV Tupi. Foi uma luta árdua, pois a sociedade não aceitava a televisão de pronto. O medo da degeneração da família e do fim do diálogo era grande.
Quando será que Barretos viverá algo pela primeira vez novamente?