A régua da minha justiça deve ser maior do que a de quem não conhece a Deus
Diocese de Barretos - 6 de março de 2026
A régua da minha justiça deve ser maior do que a de quem não conhece a Deus
Compartilhar
Pe. Pedro Lopes, Vigário São Miguel Arcanjo, Miguelópolis - SP
No Sermão da Montanha, Jesus faz uma afirmação exigente e desconcertante: “Se a vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus”. Com essas palavras, Ele nos convida a repensar profundamente o modo como vivemos nossa fé. Não se trata apenas de cumprir normas externas, mas de permitir que o Evangelho transforme o coração e as atitudes. A justiça dos escribas e fariseus era marcada pela observância rigorosa da Lei, mas muitas vezes faltava misericórdia, compaixão e verdade interior. Jesus vai além e mostra que o problema não está apenas nos grandes pecados visíveis, mas também nas intenções, nos sentimentos e nas palavras. A ira, o desprezo, a falta de reconciliação também ferem a comunhão e afastam do projeto de Deus. Esse Evangelho nos provoca a olhar para nossa própria “régua”. Com que critério julgamos os outros? Somos exigentes com os erros alheios e indulgentes conosco mesmos? Muitas vezes, quem conhece a Deus e frequenta a Igreja corre o risco de se acomodar, achando que já está no caminho certo, enquanto o Evangelho pede uma justiça mais profunda, marcada pelo amor. Jesus nos lembra que a verdadeira justiça começa na reconciliação. Antes mesmo de apresentar a oferta no altar, é preciso buscar a paz com o irmão. Isso nos ensina que a fé não pode ser separada da vida concreta. Não existe culto agradável a Deus quando o coração permanece fechado ao perdão. Neste tempo quaresmal, somos convidados a rever nossas relações. Talvez seja o momento de dar o primeiro passo, de curar feridas antigas, de abandonar palavras duras e atitudes orgulhosas. A justiça do Reino não humilha, não exclui, não condena; ela restaura e aproxima. Que o Senhor nos ajude a medir nossa vida não pela régua do mundo, mas pela régua do amor. Quanto mais conhecemos a Deus, maior deve ser nossa capacidade de compreender, perdoar e amar. Essa é a justiça que conduz ao Reino.



