Adjunto x Complemento
O Diário - 25 de julho de 2026
Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Série Sintaxe
É comum que duas expressões muito parecidas despertem interpretações completamente diferentes na gramática. Basta observar construções como “músculo do coração” e “redução da pressão arterial” para perceber que a simples presença de uma preposição não basta para determinar a função sintática da expressão. Essa distinção se torna mais clara quando se compreende que a análise depende, primeiro, das relações estabelecidas entre as palavras e, depois, do sentido construído por elas, revelando que a lógica da língua vale mais do que a memorização de regras.
A correta identificação das funções sintáticas depende menos da memorização e mais da observação das relações estabelecidas entre as palavras. Em expressões como “músculo do coração”, o termo regente é um substantivo concreto, cujo sentido já está plenamente definido. Nessa situação, a expressão “do coração” não completa seu significado, mas apenas especifica de qual músculo se trata. Logo, quando o termo preposicionado se liga a um substantivo concreto para identificá-lo, especificá-lo ou caracterizá-lo, exerce a função de adjunto adnominal.
Por outro lado, quando o termo preposicionado se liga a um substantivo abstrato, a análise exige um passo adicional, pois a classificação passa a depender do sentido da relação estabelecida entre as palavras. Em “redução da pressão arterial”, por exemplo, o termo regente “redução” é um substantivo abstrato que expressa uma ação, enquanto a expressão “da pressão arterial” indica aquilo que sofre essa ação, razão pela qual exerce a função de complemento nominal. Assim, a sintaxe revela que compreender a língua é perceber que forma e sentido caminham lado a lado na construção do significado.
Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie