Aliteração
O Diário - 19 de abril de 2026
Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Figura fonética
Ao ler certos versos, slogans ou trechos em prosa, percebe-se que alguns sons se repetem de maneira quase musical, criando um efeito que chama a atenção mesmo antes da compreensão plena do sentido. Esse fenômeno, denominado aliteração, baseia-se na repetição de sons consonantais com finalidade expressiva. Tal recurso revela, por um lado, a capacidade de organizar o enunciado por meio de padrões sonoros; por outro, a função de construir efeitos estilísticos que ampliam a força imagética do discurso.
A aliteração atua como um recurso de organização sonora que intensifica a expressividade do enunciado. Sequências como “Coca-Cola” ou combinações em que se repetem determinados fonemas consonantais demonstram como o som pode estruturar o texto a fim de tornar a mensagem mais marcante. Isso se verifica na expressão “Vim, vi e venci”, ou o famoso trava-línguas “O rato roeu a roupa do rei de Roma.”. Logo, prova-se que a repetição sonora não é mero ornamento, mas instrumento eficaz de realce expressivo.
A capacidade da aliteração de produzir efeitos estilísticos e imagéticos no discurso é outro aspecto relevante. Em construções como a proposta por Cruz e Souza, “Vozes veladas, veludosas vozes”, a recorrência sonora contribui para estabelecer relações de sentido e sugerir unidade temática. Aliás, nomes como KitKat e Dunkin’ Donuts são criados na publicidade para sensibilizar e envolver os consumidores. De fato, ao repetir para destacar, a aliteração faz da estrutura um recurso para criar significados.
Luciano Borges é Doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie



